
Pensei em escrever hoje algo sobre auto-controle ou a falta dele, e eis que me pego lendo uma Coluna na Revista Época sobre o respeito ao próximo em um ambiente que já fora reduto de pessoas civilizadas que freqüentavam afim de assistir ao filme; o cinema.
A colunista Eliane Brum escreveu sobre sua desistência por freqüentar o cinema, apesar dele ter sido sempre um lugar que lhe proporcionava prazer. A falta de respeito das pessoas que ali se encontram ou a liberdade oferecida por certos pais a adolescentes mal educados fez com que ela, a exemplo de tantas outras pessoas, deixasse de freqüentar o lugar e [quase] perdesse o limite sobre aquilo que julgamos ser o nosso auto-controle. Extrapolar no momento em que se espera o mínimo de respeito possível ao próximo é deveras aceitável.
A partir dessa situação eu reflito a cerca de várias outras vividas por mim e por qualquer outra pessoa civilizada da face da Terra e uma delas, inclusive, já fora relatada por mim em outro post. O fato é que tanto a colunista aí quanto eu nos parecemos enquanto seres de paz e que só perdem o controle com alto nível de irritabilidade e, no meu caso, com doses a mais de álcool no sangue.
A verdade é que muitas coisinhas me irritam de forma irrelevante, mas o acumulo delas é que faz a diferença. Ok, não sou um exemplo de ser-humano a se seguir, mas fujo da modéstia no que se refere a valorização e o respeito ao próximo e, sobretudo, prezo infinitamente pela educação. Por mais que vez ou outra eu fuja à regra e seja um tantinho ignorante.
Em primeiro lugar, conhecer uma pessoa garante a você um grau de intimidade que, pelo menos a meu ver, possibilita o entendimento a respeito dos limites e liberdades doados pelo próximo. Dessa forma, independente de sermos amigos de anos ou o outro ser apenas um transeunte com quem você por ventura esbarra, as limitações devem ser respeitadas acima de qualquer intimidade ou a falta dela.
A falta de limite de certas pessoas já me tirou do sério, mas eu admito que tenho trabalhado muito bem essa questão de entender o outro como alguém que talvez não tenha a mesma consciência que eu e, por isso, esteja invadindo a linha do “até aqui chega”. Na mesma proporção não entendo o porquê de você possuir uma bolsa vazia na mão, resolver chupar uma tangerina dentro do ônibus e mesmo podendo jogar as cascas na bolsa pra depois coloca-la em um local propício, faz isso arremessando o lixo pela janela do veículo, acumulando a sujeira toda em um dos lugares ‘menos freqüentados’ de Aracaju às 18 h; o Terminal DIA.
Fora os problemas ambientais que esse ato trará, sendo eles mínimos ou máximos, existe a minha imaginação ao ver a cena e refleti-la confabulando a respeito de como seria o quarto ou a casa do indivíduo.....huuummm...Whatever, tkanks God for my education.
Igualmente também não entendo porque em um lugar superlotado você precisa atrapalhar a passagem fazendo uma ‘linha humana’ fechando o corredor de uma didática, desfilando e conversando sobre a próxima cor que vai colocar no cabelo ou até quem vai ser eleito o garoto mais bonito da sala. Fora os motoqueiros que ocupam o lugar dos pedestres e ainda os insultam por estarem no espaço que, na mente deles, os possui.
Mas se eu fosse decorrer aqui sobre tooodas as coisinhas irritantes do dia-a-dia seria necessário escrever um guia de como se comportar, seja ecologicamente, eticamente, ou amigavelmente falando. E longe de ser hipócrita, esse guia serviria pra mim também, fica a declaração!
O meu entendimento sobre o que seria respeitar o limite de qualquer pessoa apóia-se na teoria de que, em primeiro lugar, eu não farei com os outros o que sei que não gostaria que fizessem comigo; segundo, embora seja completamente normal desrespeitar alguma regra, sigamos tentando ser éticos e educados, e em terceiro, conhecer o próximo já é o passo para que eu saiba até onde [se] devo ou não ir.
Entender a necessidade de chamar atenção colocando o outro em uma situação desagradável, fazendo comentários mais desagradáveis ainda é moleza, visto a barra que é encontrar a pessoa com quem você passou seus intensos últimos meses com um outro 'par'. Nesse caso eu entenderia completamente a falta de auto-controle de qualquer que fosse o ser-humano. Mentiiiiira, viu.
Infelizmente minha personalidade, os astros ou o meu dia de nascimento, ou seja lá quem for o responsável pela manutenção desse ‘equilíbrio’ me impede completamente de esmurrar quem desafia minha paciência e cruza[interfere-interrompe]o meu caminho. E as várias situações vividas por mim ultimamente comprovam fatidicamente essa afirmação! É isso, eu tenho auto-controle, sorry!
Meus amigos (alguns) são conscientes de que eu só perco o limite financeiro e na última alternativa o emocional. Muito embora eu ultimamente tenha me perdido no emocional, e resistido muito mais nos outros.
Então pessoal, vamos lá nessa campanha rumo ao convívio mais 'disciplinar' e respeitável? Tenhamos limites e respeitemos o do outro pra não ser preciso avaliar o auto-controle, ou até passar a conhece-lo somente depois de já tê-lo perdido! Que dirá chegar ao ponto de agradecer por isso!
Como diz o Lenine:
[...]enquanto todo mundo espera a cura do mal,
e a loucura finge que isso tudo é normal,
eu finjo ter paciência[...]
Cultivando descontroladamente a paciência! ;)
Paz e amor na terra do terror.
=p
=*