sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Hipocrisia Natalina.

Eu sempre fui uma pessoa desapegada a crenças, superstições, lendas, tradições que precisam ser seguidas. Enfim, sempre aceitei desde a infância o fato de minha família me considerar a ovelha negra do bando, por minhas opiniões sempre contrárias.
Nunca vi graça em papai noel, em árvore de Natal e em reuniões familiares pra celebrar tal data, regadas à pura hipocrisia. Historicamente e religiosamente (para aqueles que o são) falando existe algo muito mais ‘forte’ do que representações materiais e vontades forjadas de procurar melhorar o ‘eu’.
O Natal pra mim é uma época como outra qualquer e acho até ser sintomático o fato de todo ano eu ficar triste quando chega perto do dia 24. O fato das pessoas atribuírem tanta necessidade de mudança a essa época Já me soa como algo falso. Somente no Natal as pessoas amam, rezam, agradecem, prometem, são educadas, caridosas, gentis, humildes... ou seja, perfeitas.
O espírito natalino parece um estado que se instaura até o dia 31, e aí quando passa da meia noite todos tiram as máscaras. Se bem que existem aqueles que nem se dão ao esforço de colocá-las nesse período. E eu acho mais digno; se é pra ser, que seja você mesmo. Sendo a vovozinha ou o lobo mau.
Não posso exigir que ninguém concorde comigo, mas o fato é que eu realmente não vejo graça em proclamar a data de uma renovação que só vai existir por dois dias, o 24 de Natal e o 31 do novo ano. Os tais tão esperados.

Inevitavelmente passo o Natal todos os anos com a família e até preparo o espírito pra uma celebração digna, justa, verdadeira. Reflito sim sobre uma possibilidade de mudança, mas sinceramente não vejo graça em agregar certas pessoas que só comparecem nessa época, soltam sorrisos graciosos, e fatidicamente quando entram no carro pra voltar pra casa comentam algo desagradável sobre qualquer que seja a pessoa ou o acontecimento da noite. Não que eu me incomode muito com a opinião alheia, só não vejo graça em querer parecer outra pessoa só no Natal.
Renovação e mudança pra mim se faz no dia-a-dia. Quando erro, tento consertar e não repetir, quando sou educada naturalmente, quando tenho vontade de ser caridosa, quando sou eu mesma sem precisar ser natal. Até quando torro o saco de ser pateta e sou um pouco mais cruel considero uma mudança, e desse tipo eu também faço no dia a dia.
Eu mesma passo por isso todos os anos, amo várias pessoas, mas só demonstro o carinho necessário no Natal. Ou seja, tanta atribuição a essa data até abre espaço pra que eu seja um pouco menos túmulo (rs). Não custa nada demonstrar carinho nessa época, mas pra mim, o espírito do natal é tentar repetir a cena a partir dali e pro resto da vida.

Como continuo longe de ser alguém exemplar, venho tentando trabalhar essa mudança, quem sabe pra durante os próximos anos. Há uma diferença entre querer ser melhor a partir do natal e somente nele.

Boa noite a gente pode oferecer todos os dias, não somente nos dias 24 e 31!

Feliz Natal! Ho ho ho. =p

;)