Tem aqueles dias em que você escolhe tirar pra você, e constrói toda uma cena a fim de parecer feliz dentro da própria solidão. Clássicos 'blablablas' que decidimos declarar junto aos amigos, aos colegas; pra parecer bem, 'cuidando de si'. Na verdade acho que sou um pouco assim, me sinto bem sozinha, curto cinema, música e boteco with myself. Como bem 'determina' meu signo, sou do mundo! Das aventuras, dos casinhos, de muitos colegas e de poucos amigos! Mas como existe um pouco de mentira em tudo que lemos e dizemos, eis aí também uma delas. Sou do ar, mas absurdamente amarrada às tradições do que supostamente rege relações pessoais. Carinho, cuidado, colo, amor e sua variantes me atraem o suficiente pra me deparar num dia como esse de hoje; em que eu tive a sensação de invisibilidade mesmo estando no meio de uma multidão de pessoas cheias de suas preocupações, correndo contra o tempo ou sei mais lá o que. O mais engraçado é que não notamos a presença do outro nem mesmo quando esbarramos e sentimos que um corpo tocou o seu. Nada muda, olhares se ignoram e seguem seus caminhos.
A solidão, ao contrário do que já ouvi muita gente afirmar por aí, não me assusta. O que me assusta na verdade é sua permanência; sua incansável insistência. É essa sensação de inutilidade avassaladora, que deixa o peito do mesmo tamanho em que se transformou sua importância sobre o mundo e as pessoas. Ou seja: ínfima! Aparentemente!
Até chegar ao seu encontro um desses seres que rondam sua vida, e que te olha nos olhos desfazendo todo esse sentimento de inexistência. Ok, é bacana, mas passa!
É tanta falta que a gente sente. Falta de um grande amor, falta de um grande amigo, daquele momento em que não se faz nada a não ser trocar olhares de desejo e carinho, daquela boa música, da boa conversa...falta de beijo, falta de sexo. Tudo isso quando em nosso poder é meramente descartado, esquecido, pouco valorizado. Mas tudo tem um motivo, isso acontece pra que alimentemos esse ciclo de completude e faltas que cabe a nós, meros mortais fadados a tristeza e solidão. Será?
Se bem que, nesse exato momento se eu tivesse a possibilidades de escolha sobre com quem estar a ler ou a ver bobagem na tv, não haveria sequer mais de duas escolhas. Muito embora eu seja péssima em calculo, aos meu ver dessa subtração entende-se que de duas possibilidades tira-se, no meu caso, a primeira que é sempre a inviável e, restando o que sempre resta; estar só e ser feliz, ou tentar, mastigando as dores e as delícias de o ser.
O que estou querendo dizer, na verdade, é que hoje é o típico dia em que existir não basta!