segunda-feira, 14 de março de 2011

A lá melodia de 'Reis'!

Essa energia que agrega uma legião de seres,
que mesmo a contragosto dos seu quereres,
se embebeda em sua companhia.
A ela que é amante da arte,
e tem a poesia como elemento da alma.
Que brinda ainda que com doses agridoce,
os mistérios e as cores de viver.
Uma força que as vezes seca,
mas tem como fonte a vontade segura
que alimenta um lindo e doce caminhar.
Uma melancolia típica de artista,
que conhece os dissabores e a plenitude
de ser grande e de também ser pequeno.
Ela que tem a bravura de 'reis',
e sabe como ninguém conjugar a vida.
Ela que carrega no dom,
a melodia que compõe o amor!

terça-feira, 1 de março de 2011

A dois!

Em horas de prazer infindo,
quando nos permitimos por instinto,
a versos simples de vidas conjugadas.
Instantes que se eternizam pelo toque de mãos,
que pulsam quando se enfrentam,
mas caminham na mesma direção.
Desfilam por conhecidas curvas,
da leveza desnuda de uma pele macia.
Bailando no ritmo da melhor melodia,
compondo dueto em segredo.
Dos poros que transbordam suor,
e eternizam o enlace de corpos que se desejam.
Faz-se da vida em um instante apenas,
quando se pode abraçar enfim,
o tudo e o nada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E o que a vida quer da gente?

Pedaços das nossas vidas por ai. Cabendo nos espaços que agora já escapam de nossas mãos. Gestos que fogem de nosso controle, e nos colocam distantes, em caminhos que se perdem mesmo quando pretendemos a mesma direção!
Respostas que surgem meio a vastidão do poder de imaginar que motivos há para tanto “se perder”.
Um tempo perdido, uma trajetória esquecida. Linhas traçadas e interrompidas, como tudo que a vida nos pôe e tira das mãos. Ou será que permitimos que ela o faça?!
Aquele desejo de tornar palpável o que o universo decretou ser abstrato demais para nós mortais; que pensamos demais, vendo tudo passar da janela de onde aguardamos apáticos, e de onde não saímos, trabalhando o cultivo de nosso egoísmo e covardia.
Quem passa lá fora tem por nome ‘coragem’, e está longe de caber na pequenez do nosso mundinho miúdo, vazio e escuro, da cor sem luz. Aquela mesma que em ausência mata os seres que dela necessitam pra viver.
“Querer é poder” está longe de ser lema viável para nossas mentes mesquinhas e fracas.
Pensar em fazer a mudança que exigimos do mundo em nós é a primeira das hipocrisias na lista das várias que cabem em nosso caderninho de curtas linhas!
Antes de praticar o que tento ‘questionar’ com essas poucas palavras, eu aponto pra mim que também me sinto inclusa nesse ‘nós’.
O título desse texto interroga o que só palavras-chave, marcadores e notas de rodapé saberiam responder! ;)
Sejamos!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pro café da manhã!

Mais um dia surgindo significa escrever mais uma página ou transcrever uma já rabiscada. Sem escolha entre a que ainda está limpa e a que já foi rasurada.
Eu, que ando sem forças pra escrever minhas próprias linhas, vou deixar minha folha em braço, quem sabe o acaso não se dispõe a traçar-las.
Acordo assim, todos os dias, com esse aperto no peito.
Paro em súplica e digo: “vem sopro de vida me fazer ser um pouco de mim”

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Angustia, seja bem vinda!

Eu nunca fui de querer grandes coisas da vida. Sou simples, meus 'quereres' são quase sempre possíveis.
Queria de fato era que a vida caminhasse comigo, também sem grandes mistérios, sem grandes exigências de mim. Mas na prática as coisas não funcionam assim.
Essa minha amargura eterna sobre as questões da minha própria vida, sobre os caminhos que ela tomou me deixam sem ar. Um nó na garganta que me leva direto a uma realidade que eu repudio. Alias, são realidades, bem no plural. Fatos que se espalham e se misturam e no final rendem um grande e indecifrável abismo interior. Questionamentos sobre tudo, sobre o nada, sobre muito de nada nesse tudo.
Confusão nenhuma me definiria melhor do que essas minhas ultimas linhas.
Hora me recuso a continuar vendo beleza nos encontros da vida, porque os desencontros são trágicos, catastróficos. Dai me deparo com uma beleza humana tão rara que volto a sorrir com o nada, com o vento. Ah, o vento, esse sim sabe de tudo por ai. Queria eu poder existir nos espaços sem ser notado ou visto, só sentido.
Em muitos momentos desisto de sentir, procuro me comportar de forma racional e tento segurar a barra levando a vida a diante, querendo não me abalar com pequenices. Mas como, se essa coisa que mora em mim é maior que eu, tem horas que parece querer sair e me sugar num instante só. Me levando a momentos de subta felicidade.
A gente poderia parir a própria dor, e arrancar do peito certos desacertos. Pra fazer a vida seguir em frente, até que se gerasse novamente dentro de si mais uma grande dor, e se passasse pelo mesmo processo até novamente parir. Na realidade dizem que grandes dores somem com o tempo, em geral costuma-se afirmar que nenhuma dor dura pra sempre! Mas é que a minha demora tanto a passar que pra me convencer de que tudo corre bem, eu mentalizo que sendo igual a todos tenho a obrigação de também passar por isso. Como um processo natural a nós humanos, sabe! Aí até que dá uma aliviada, mas volta, como agora. Quando em escrevendo essas bobagens me iludo com a ideia de que elas diminuirão minha angustia. Quem sabe!
O que na verdade eu não sei é o que quero! Se essa dúvida não existisse já seria uma passo grande pra essa dor sumir.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ser assim, tempo!


Dizem por ai que enquanto criança se escala uma longa jornada em contagem regressiva para a conquista da tal liberdade. Ouço muito isso, e me ponho sempre contra.
Lembro, do pouco que me cabe, que nunca quis ser ‘gente grande’. Pra mim o tempo deveria passar bem devagarzinho, saboreando cada minuto, cada segundo, cada instante.
Ao menos hoje eu não me sentisse assim, como se tivesse deixado algo não vivido ou mal acabado nos instantes do passado. Irrecuperável, morto.
Lembranças não vividas existem em mundo criado por mim, que é como deveria ter sido, bem no pretérito.....O caos isso de querer (re)viver.
Ser gente grande incomoda tanto quanto o ‘tic-tac’ do relógio que determina nossas vidas, mas dói menos do que perceber que cada ‘agora’ torna-se ‘há pouco’ em muito pouco tempo.
Eu mesmo não faço questão de ser essa grande gente que tanto falam por ai. Prefiro ser assim, um alguém filha do tempo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Saudade"

Pra não abandonar este espaço aqui, por pura 'paralísia criativa', vamos do que é bom, sempre!

"Saudade a lua brilha na lagoa
Saudade a luz que sobra da pessoa
Saudade igual farol, engana o mar
Imita o sol
Saudade sal e dor que o vento trás

Saudade o som do tempo que ressoa
Saudade o céu cinzento a garôa
Saudade desigual, nunca terimina no final
Saudade eterno filme em cartaz

A casa da saudade é o vazio
O acaso da saudade fogo frio
Quem foge da saudade, preso por um fio
Transborda em outras águas, mas do mesmo rio"



[Chico César e Paulinho Moska]
Inter. Maria Bethânia (a musa ^^)