segunda-feira, 10 de junho de 2013
O dia 'D'!
Quem um dia irá dizer...
Eu poderia começar meu texto completando a célebre frase de Renato Russo, mas não vou.
Meu post é sim sobre aquele velho tema foco de tudo na primeira quinzena do mês de Junho; aquele que rende choro, vela e falsas borbulhas de amor em taças amargas de solidão a dois. O grandioso dia dos namorados.
Poderíamos fazer uma lista vasta com os mais variados tipos de relacionamentos, sem nos caber julgamento sobre a validade de cada um deles – mas isso duraria e tomaria muito do tempo que eu não tenho. Estejamos atentos ao que importa.
Liberdade existe para nos garantir o direito da palavra, do manifesto, da explosão de alegria e do lamento da tristeza. Longe de mim criticar os amantes que enaltecem o amor ou alfinetar os que dizem sofrer de solidão. Temos música tema pra tudo – seja pra segurar seu cotovelo dolorido pelo peso das lágrimas, ou sustentar o salto das borboletas no seu estômago. Pegue o seu hit mais marcante e bote pra romper com a paciência de quem ainda tiver um pouquinho.
O amor é um tema tão recorrente quanto o desamor, e os dois fazem parte do cardápio predileto de quem sobrevive do cultivo de tudo quanto é data comemorativa. Talvez nem estejamos aí pra essa coisa toda de estar solteiro ou casado – enrolado, mas é que a celebração é tão massificada que até vitrine brega estampada de corações e chocolates, com um embrulho enorme enfeitado por um laço ROSA parece um tapa certeiro naquela sua área mais sensível.
Sou do amor, mas sem melação, porque aí lambuza.
Tom Zé, o grande mago das contestações musicais, diria que o amor é um rock e a personalidade dele é um pagode. E pagode é o que fazem com o seu sentimento, amigo. Com salto 15 na cara de quem tá aí super à disposição pra ser amado, ou não.
O tema é fértil e instigou clássicos da emblemática (!?) banda Raça Negra, que criou ‘Amor amigo’, ‘Amor bonito’, ‘Amor e desejo’, ‘Amor engraçado’, ‘Amor impossível’ e, vejam só – ‘Amor perfeito’. Amado Batista também diria que amor perfeito existia, sem esperar que um dia tudo fosse se acabar. Adelino Nascimento cantava a bebedeira pelo amor à ingrata.
Amar é amplo, contemplativo e abstrato, mas Caetano chegou a dizer que o tal é da cor do azeviche, da jabuticaba e da luz do sol. Chico, o Buarque, canta tanto o amor que em uma das formas para tantos nomes – Lígias, Bárbaras, Luizas...ele disse que ao se conhecer dar-se pra sonhar e cometer desvarios, rompe com mundos e se queima navios.
Haja arranjo pra tanto poema rasgado - coisa pouca perto de Vinícius de Moraes, que escreveu um Soneto de amor total. Vejam só, o cabra amou até o fim, amou além; com grande liberdade, dentro da eternidade e a cada instante. Amou como um bicho, sem mistério e virtude. E disparou aos quatro ventos que o amor nem precisa ser imortal, desde que seja eterno. E mais, no corpo da amada prometeu morrer de amar mais do que pôde.
Tem amor de todo jeito e pra mais de metro, só não tem caminhão suficiente pra carregar o peso da areia. O tema ficou banal, mas é mais complexo do que correm às bocas traquinas. Vai além de 'Santos', 'Silvas', dias dozes e bodas de ouro ou prata. Na calculadora não entra o substancial, porque o amor não vale o quanto pesa nem o que se apresenta.
Por isso que essa lógica mercadológica só faz sentido na teoria das mentes rasas, que priorizam a manutenção de algo que é conveniente. Ao invés de prezar pela simplicidade de ter o que se tem, e ser o que se é.
Não tem parceria para o dia 12? Pegue seu banquinho e saia de mansinho, sente e se extasie de uma boa leitura, ou música (vide a minha bula lá em cima) na boa companhia de si próprio.
E pra acabar, uma frase que poderia substituir todo o meu texto - pode mais valer um ponto ‘g’ do que um dia ‘d’.
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