terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pro café da manhã!

Mais um dia surgindo significa escrever mais uma página ou transcrever uma já rabiscada. Sem escolha entre a que ainda está limpa e a que já foi rasurada.
Eu, que ando sem forças pra escrever minhas próprias linhas, vou deixar minha folha em braço, quem sabe o acaso não se dispõe a traçar-las.
Acordo assim, todos os dias, com esse aperto no peito.
Paro em súplica e digo: “vem sopro de vida me fazer ser um pouco de mim”

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Angustia, seja bem vinda!

Eu nunca fui de querer grandes coisas da vida. Sou simples, meus 'quereres' são quase sempre possíveis.
Queria de fato era que a vida caminhasse comigo, também sem grandes mistérios, sem grandes exigências de mim. Mas na prática as coisas não funcionam assim.
Essa minha amargura eterna sobre as questões da minha própria vida, sobre os caminhos que ela tomou me deixam sem ar. Um nó na garganta que me leva direto a uma realidade que eu repudio. Alias, são realidades, bem no plural. Fatos que se espalham e se misturam e no final rendem um grande e indecifrável abismo interior. Questionamentos sobre tudo, sobre o nada, sobre muito de nada nesse tudo.
Confusão nenhuma me definiria melhor do que essas minhas ultimas linhas.
Hora me recuso a continuar vendo beleza nos encontros da vida, porque os desencontros são trágicos, catastróficos. Dai me deparo com uma beleza humana tão rara que volto a sorrir com o nada, com o vento. Ah, o vento, esse sim sabe de tudo por ai. Queria eu poder existir nos espaços sem ser notado ou visto, só sentido.
Em muitos momentos desisto de sentir, procuro me comportar de forma racional e tento segurar a barra levando a vida a diante, querendo não me abalar com pequenices. Mas como, se essa coisa que mora em mim é maior que eu, tem horas que parece querer sair e me sugar num instante só. Me levando a momentos de subta felicidade.
A gente poderia parir a própria dor, e arrancar do peito certos desacertos. Pra fazer a vida seguir em frente, até que se gerasse novamente dentro de si mais uma grande dor, e se passasse pelo mesmo processo até novamente parir. Na realidade dizem que grandes dores somem com o tempo, em geral costuma-se afirmar que nenhuma dor dura pra sempre! Mas é que a minha demora tanto a passar que pra me convencer de que tudo corre bem, eu mentalizo que sendo igual a todos tenho a obrigação de também passar por isso. Como um processo natural a nós humanos, sabe! Aí até que dá uma aliviada, mas volta, como agora. Quando em escrevendo essas bobagens me iludo com a ideia de que elas diminuirão minha angustia. Quem sabe!
O que na verdade eu não sei é o que quero! Se essa dúvida não existisse já seria uma passo grande pra essa dor sumir.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ser assim, tempo!


Dizem por ai que enquanto criança se escala uma longa jornada em contagem regressiva para a conquista da tal liberdade. Ouço muito isso, e me ponho sempre contra.
Lembro, do pouco que me cabe, que nunca quis ser ‘gente grande’. Pra mim o tempo deveria passar bem devagarzinho, saboreando cada minuto, cada segundo, cada instante.
Ao menos hoje eu não me sentisse assim, como se tivesse deixado algo não vivido ou mal acabado nos instantes do passado. Irrecuperável, morto.
Lembranças não vividas existem em mundo criado por mim, que é como deveria ter sido, bem no pretérito.....O caos isso de querer (re)viver.
Ser gente grande incomoda tanto quanto o ‘tic-tac’ do relógio que determina nossas vidas, mas dói menos do que perceber que cada ‘agora’ torna-se ‘há pouco’ em muito pouco tempo.
Eu mesmo não faço questão de ser essa grande gente que tanto falam por ai. Prefiro ser assim, um alguém filha do tempo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Saudade"

Pra não abandonar este espaço aqui, por pura 'paralísia criativa', vamos do que é bom, sempre!

"Saudade a lua brilha na lagoa
Saudade a luz que sobra da pessoa
Saudade igual farol, engana o mar
Imita o sol
Saudade sal e dor que o vento trás

Saudade o som do tempo que ressoa
Saudade o céu cinzento a garôa
Saudade desigual, nunca terimina no final
Saudade eterno filme em cartaz

A casa da saudade é o vazio
O acaso da saudade fogo frio
Quem foge da saudade, preso por um fio
Transborda em outras águas, mas do mesmo rio"



[Chico César e Paulinho Moska]
Inter. Maria Bethânia (a musa ^^)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Um sopro

Quanta confusão havia nela. E era sempre? Não! Nunca tivera sido assim. As coisas mudaram quando a vida transcendeu para o estágio da identificação com ela mesma. Das buscas e entendimentos sobre a essência da vida. Que difícil, que carga sufocante.

Traumas agora faziam parte de seu futuro. Aqueles do passado, que ‘talvez’ ainda se presentificassem. Uma caminhada dolorosa para ultrapassar aquela barreira, um quebra-molas gigante, enquanto se enfrentava a travessia com rodas minúsculas e impotentes.

E suas exigências que nunca se encaixavam no que via. Os questionamentos sobre ser muito complicada para aceitar o outro, ou ser muito ‘Ser’ para que os outros a completasse.

Idealizações difíceis de serem quebradas, esquecidas, apagadas...E o que era essa força que acelerava a pulsação, esmagando entranhas, transformando em angustia e silêncio cada movimento? Uma complexa tarefa aquela de manter o controle. A constância da nova vida dependia de cada momento, de cada passo; encontro. Um leve bailar por entre o sofrimento, como se devesse senti-lo para evoluir, amadurecer . Por nada mais se ver a fazer senão acolhe-lo.

E havia? De fato, não! E tentar qualquer outra solução era em vão. Estava decretado, imposto; feito. Nada mais entre os dedos, nada mais entre os braços. Sonhos singulares, vazios fartos de recordações, rancores, amores. E era isso que ela queria, amores....amar. Não amores sem cor, mas daqueles que devastam também com dores e sufocam o peito não de angustia, mas de contentamento.

Era de encontros e pessoas vazias que ela estava farta. A vida era mais do que números que preenchem listas rotuladas. Queria sim completude, maturidade e reciprocidade!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O garoto do verbo ‘almejar’!

Quando? Quando é que essa moça vai me notar?

Ele pensava a cada encontro com seu novo motivo de suspiros e sonhos futuros. Linda, cabelos castanhos e compridos, baixa, olhos de quem entende o que ver, e postura de alguém que mistura ousadia e meiguice sem demonstrar fragilidade. Mas como pode apaixonar-se tão facilmente sem trocar sequer meias palavras?

Lucas era um bom moço, mas afastava as pretendentes com suas manias esquisitas, que por sinal não eram poucas. Trabalhava numa loja de cds e tinha a incrível facilidade de se apaixonar por pessoas com as quais mantinha mínimos ou inexistentes contatos. Ele era, e porque não dizer, um amante vulnerável a mudar de idéia diante do primeiro encontro. E tremia muito antes de decidir chegar em alguém.

‘Mas com ela seria diferente. ’ Era o que ele pensava quando trilhava o caminho de volta pra casa, onde sempre a encontrava por tomar seu café ao ler um livro, ou a conversar com velhos senhores que por ali passavam. Ster sequer notava que Lucas a espionava por longos e prazerosos minutos, até ser interrompido por transeuntes que seguiam seu caminho.

Nada mais na vida fazia tanta diferença pra ele, pois todos os dias a monotonia de sua rotina o tirava a vontade de viver o novo. E era esse o medo de se aproximar de pessoas como Ster, que aparentemente ousavam extrapolar os limites dos caretas.

Todos os dias, aquele mesmo percurso, o mesmo cumprimento para quem já o conhecia, namorava Ster à distância por alguns minutos e depois seguia para o trabalho. Fora as horas que passava a noite estudando pra chegar às etapas evidentes que um homem bem-sucedido necessita alcançar.

E foi dito e feito, Lucas conseguira passar naquele mesmo ano numa das faculdades mais bem requisitadas, e logo, logo arranjou emprego na área que tanto sonhava, deixando pra trás a velha loja de discos que tanto lhe dava prazer, e algumas das manias esquisitas. Ster continuava linda, com seus caminhos trilhados e ousando desistir de algum deles quando lhe dava na telha.

Por várias vezes ele esteve perto de trocar algumas frases com Ster, mas não o fez pelo medo que sempre carregava na mochila, pra onde fosse.

O tempo passou e Ster não estava mais por perto. Lucas continuou fechado em seu mundinho, que ele nunca escolhe por onde vai desenrolar. Apenas segue as regras impostas e não se permite ousar e sair da linha em busca de algo que o faça feliz.

Não existia nos traçados da vida dele a possibilidade de largar tudo até então garantido, a fim de investir no amor; em um amor, seja lá pelo que for. Ou qualquer outro sentimentos que lhe tirasse os pés do chão, com a possibilidade de voar, e de também cair!

Das manias que lhe sobraram a que mais o perseguia e incomodava era a de ficar sempre no meio do caminho, no lugar onde só cabe o desejo. Quando a covardia invade o espaço e torna tudo um vislumbre apenas almejável. Mas disso tudo algumas coisas sempre sobram, e nesse caso, sobra a dúvida do que poderia ter acontecido entre ele e Ster, e a velha monotonia dos dias que se seguem.

De fato, o forte de Lucas não era ousar!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Limite!

Estive sempre presa às minhas limitações. Quando progredi era tarde, cheguei na fronteira....mas a da vida! Ai pensei: '-sempre ele, o limite'!

É isso!

Introspecção define! ;)