terça-feira, 20 de agosto de 2013

Flores de partir.

Viver coisas grandes exige também grandeza.
Amores transtornam o nosso caminho,
e enchem a nossa vida de beleza.
Transitar para fora de uma vida
é abalar a sustentação da sua própria.
Aí, quando resta, sobretudo, a certeza de se ter mergulhado
profundamente num mar de águas encantadoramente extasiantes -
o último suspiro pode valer o peso da eternidade,
mas embevece o coração de contemplação.

domingo, 7 de julho de 2013

O verão romântico de Marcelo Camelo.

Antes de dizer o resto, aviso: aos que não gostam dessa musiquinha cheia de 'nhenhenhen' nem precisa mais continuar a ler o post. O disco sobre o qual vou falar é cheio exatamente de "nhenhenhen's" - aquele barulhinho que o coração dos apaixonados faz no ápice do amor. O ultimo disco de Marcelo Camelo foi gravado em 2011 e se chamou 'Toque dela', produto quase reflexo de seu namoro com a também cantora Mallu Magalhães - que não coincidentemente participa desse ultimo trabalho. Mormaço é o nome do disco que foi lançado em cd e dvd e conta com a presteza de Camelo do melhor que se pode ter de um show voz e violão. Isso mesmo, o show é intimista - passa a sensação de contemplação do mar, num cenário que caberia uma rede, boa companhia e quem sabe um bom vinho. Além de Mallu Magalhães, a outra participação fica por conta do rabequista Thomas Rohrer. O disco trás poucas coisas novas. Ele regrava sucessos dos Los Hermanos, mescla escolhas entre seu disco de 2008 (Sou) e Toque Dela, o já referido de 2011. Não é um disco para surpreender, ao meu ver. Em Mormaço, Camelo refaz o óbvio caminho que a paixão lhe conduziu e felizmente lhe garantiu inspiração pra criar letras quase minusculas, porém eficazes. Aos amantes da música crua, pra quem curte o som de um violão (muito embora não tocado da maneira mais genial), o cd funciona. Os apaixonadinho então, nem se fala. Mas falando simplesmente como ouvinte, eu que gosto de música enxuta, crua - resultado da sinceridade do encontro, o cd emociona. E nesse ponto cabe ressaltar que a escolha da rabeca é certeira. Deixem os 'mimimis' de lato e corram pra ouvir, pra quem gosta de música e SÓ. Sem rótulos, sem expectativas de encontrar super produções, mixagens mil, modernas incrementações. O cd cabe na prateleira pra qualquer dia, principalmente os de domingo. Aqui uma das novidades do disco. Música que eu particularmente achei lindinha demais. Para o destaque do verso: "...fim da tempestade, Vila Isabel. Velha novidade, o teu sorriso bossa nova. Que esse céu azul se mova muito devagar..." http://www.youtube.com/watch?v=4QGKLPoqb-g E aqui pra quem quer baixar: http://www.4shared.com/folder/IkzFQ1ro/Marcelo_Camelo_-_Ao_Vivo_no_Th.html

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O dia 'D'!

Quem um dia irá dizer... Eu poderia começar meu texto completando a célebre frase de Renato Russo, mas não vou. Meu post é sim sobre aquele velho tema foco de tudo na primeira quinzena do mês de Junho; aquele que rende choro, vela e falsas borbulhas de amor em taças amargas de solidão a dois. O grandioso dia dos namorados. Poderíamos fazer uma lista vasta com os mais variados tipos de relacionamentos, sem nos caber julgamento sobre a validade de cada um deles – mas isso duraria e tomaria muito do tempo que eu não tenho. Estejamos atentos ao que importa. Liberdade existe para nos garantir o direito da palavra, do manifesto, da explosão de alegria e do lamento da tristeza. Longe de mim criticar os amantes que enaltecem o amor ou alfinetar os que dizem sofrer de solidão. Temos música tema pra tudo – seja pra segurar seu cotovelo dolorido pelo peso das lágrimas, ou sustentar o salto das borboletas no seu estômago. Pegue o seu hit mais marcante e bote pra romper com a paciência de quem ainda tiver um pouquinho. O amor é um tema tão recorrente quanto o desamor, e os dois fazem parte do cardápio predileto de quem sobrevive do cultivo de tudo quanto é data comemorativa. Talvez nem estejamos aí pra essa coisa toda de estar solteiro ou casado – enrolado, mas é que a celebração é tão massificada que até vitrine brega estampada de corações e chocolates, com um embrulho enorme enfeitado por um laço ROSA parece um tapa certeiro naquela sua área mais sensível. Sou do amor, mas sem melação, porque aí lambuza. Tom Zé, o grande mago das contestações musicais, diria que o amor é um rock e a personalidade dele é um pagode. E pagode é o que fazem com o seu sentimento, amigo. Com salto 15 na cara de quem tá aí super à disposição pra ser amado, ou não. O tema é fértil e instigou clássicos da emblemática (!?) banda Raça Negra, que criou ‘Amor amigo’, ‘Amor bonito’, ‘Amor e desejo’, ‘Amor engraçado’, ‘Amor impossível’ e, vejam só – ‘Amor perfeito’. Amado Batista também diria que amor perfeito existia, sem esperar que um dia tudo fosse se acabar. Adelino Nascimento cantava a bebedeira pelo amor à ingrata. Amar é amplo, contemplativo e abstrato, mas Caetano chegou a dizer que o tal é da cor do azeviche, da jabuticaba e da luz do sol. Chico, o Buarque, canta tanto o amor que em uma das formas para tantos nomes – Lígias, Bárbaras, Luizas...ele disse que ao se conhecer dar-se pra sonhar e cometer desvarios, rompe com mundos e se queima navios. Haja arranjo pra tanto poema rasgado - coisa pouca perto de Vinícius de Moraes, que escreveu um Soneto de amor total. Vejam só, o cabra amou até o fim, amou além; com grande liberdade, dentro da eternidade e a cada instante. Amou como um bicho, sem mistério e virtude. E disparou aos quatro ventos que o amor nem precisa ser imortal, desde que seja eterno. E mais, no corpo da amada prometeu morrer de amar mais do que pôde. Tem amor de todo jeito e pra mais de metro, só não tem caminhão suficiente pra carregar o peso da areia. O tema ficou banal, mas é mais complexo do que correm às bocas traquinas. Vai além de 'Santos', 'Silvas', dias dozes e bodas de ouro ou prata. Na calculadora não entra o substancial, porque o amor não vale o quanto pesa nem o que se apresenta. Por isso que essa lógica mercadológica só faz sentido na teoria das mentes rasas, que priorizam a manutenção de algo que é conveniente. Ao invés de prezar pela simplicidade de ter o que se tem, e ser o que se é. Não tem parceria para o dia 12? Pegue seu banquinho e saia de mansinho, sente e se extasie de uma boa leitura, ou música (vide a minha bula lá em cima) na boa companhia de si próprio. E pra acabar, uma frase que poderia substituir todo o meu texto - pode mais valer um ponto ‘g’ do que um dia ‘d’.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pano pra quem chupa manga!!

Assim como um acento mal colocado, e uma vírgula fora do lugar, deixar de dizer ou dizer demais sobre algo é comprometedor. Em tempo de holofotes bem mirados ao ego dos Narcisos de plantão, qualquer manifestação vira notícia digna de flagra de paparazzi. Ainda que você não seja famoso, muito cuidado amigo! - basta arrebanhar meia dúzia de outros associados para a sua palavra virar palestra forte na mira dos eternos politicamente (pela saco) corretos. E 'aqui pra nós', modinha de viola enjoadinha essa. Vamos combinar que no que diz respeito à moral e bons costumes, nosso povo tá levando nota muitíssimo abaixo da média; mas esse purismo que coloca toda palavra na mira do pente fino da atual ética popular e social, tá acabando com a graça de qualquer 'rebeldiazinha'. Nada de palavrão, nada de mau criação, nada de se manifestar contra anulação política, nada de criticar preconceituoso 'porque ele também tem o direito de se manifestar'. Ok, todos temos, o páreo é duro e no jogo vence o melhor - muito embora não na força da retórica, mas pelo saldo da conta bancária ou da quentura das costas. Na medida do que se pode medir, calcular o peso do que se diz e se desarmar mais sobre as interpretações, pode salvar uma declaração e melhorar o bem estar diário em no mínimo uns 70%. Porque o que mais se tem na rotina da vigilância da rede-social é olheiro de plantão e balas no gatilho da represália. Liberdade de expressão pra que te quero, se não te posso usar? Bandeira do Tropicalismo erguida na porta do (carna)bacanal e Julinhos das Adelaides entregando fichinha de cerveja pra ver o verbo correr solto com a alforria do recalque. Futebol, política e religião não se discute é o carvalho - na prosa ou no verso, perde-se o amigo, mas nunca a pauta pra inflar o umbigo!!!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Só mais uma.

Aqui estou, só mais uma vez, tentando ressuscitar a palavra escriva, viva apenas dentro de mim. Prometo depois de mais este esforço, abandonar o espaço - em caso de mais um fracasso. Mais uma dose para a embriaguez da minha palavra. :)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tirando a poeira!

Quanto tempo faz que não apareço por aqui mesmo?

Muito, muito tempo. Parando pra avaliar o que me fez parar com as postagens, alem do fato da vida ter pesado e o dia já não possuir mais 24hrs, a gente só expressa quando sente. E na verdade eu precisava me localizar sobre tudo e entender o que estava sentindo, acredito que me preparando para o que viria; para o que chegou!

Escrevi em um certo texto a seguinte frase, num momento de buscas:
"A gente poderia parir a própria dor, e arrancar do peito certos desacertos."

É claro que eu expressei o que realmente estava sentindo, mas nunca imaginei que hoje, depois de tanto tempo tendo postado, ela faria tanto sentido.
Vejo que, apesar de odiarmos os clichês da vida, ela gira em torno deles. É o caso de falar sobre as soluções que só o tempo encaminha.

Hoje, parando pra pensar o quanto tudo voltou pro seu lugar, vejo uma pertinência quase absurda no que escrevi há alguns meses trás.
Há um novo caminho, uma nova trajetória sendo traçada. Longe de mim me esquivar de qualquer possibilidade, tanto de sofrer quanto de ser feliz, mas hoje eu posso dizer que de certa forma pari a dor, e arranquei do peito os tais desacertos.

Não garantindo que voltarei ativamente a ser uma blogueira, mas o texto de retorno é um sinal de vitalidade, e de energias recarregadas. E mais, de que aqui ainda há muita vida!! ;)

Pela volta dos que não foram...

A música que tá me definindo:

[Vinheta de Alegria]

“Onde a tristeza levanta, eu espanto.
E o pó vai sem dó.
E insisto na beleza do que já é.
E a cabeça não vê, mas o coração sente!”

http://www.youtube.com/watch?v=NUvPltSxuxc&ob=av2e

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Existir não basta, por hoje!

Tem aqueles dias em que você escolhe tirar pra você, e constrói toda uma cena a fim de parecer feliz dentro da própria solidão. Clássicos 'blablablas' que decidimos declarar junto aos amigos, aos colegas; pra parecer bem, 'cuidando de si'. Na verdade acho que sou um pouco assim, me sinto bem sozinha, curto cinema, música e boteco with myself. Como bem 'determina' meu signo, sou do mundo! Das aventuras, dos casinhos, de muitos colegas e de poucos amigos! Mas como existe um pouco de mentira em tudo que lemos e dizemos, eis aí também uma delas. Sou do ar, mas absurdamente amarrada às tradições do que supostamente rege relações pessoais. Carinho, cuidado, colo, amor e sua variantes me atraem o suficiente pra me deparar num dia como esse de hoje; em que eu tive a sensação de invisibilidade mesmo estando no meio de uma multidão de pessoas cheias de suas preocupações, correndo contra o tempo ou sei mais lá o que. O mais engraçado é que não notamos a presença do outro nem mesmo quando esbarramos e sentimos que um corpo tocou o seu. Nada muda, olhares se ignoram e seguem seus caminhos.
A solidão, ao contrário do que já ouvi muita gente afirmar por aí, não me assusta. O que me assusta na verdade é sua permanência; sua incansável insistência. É essa sensação de inutilidade avassaladora, que deixa o peito do mesmo tamanho em que se transformou sua importância sobre o mundo e as pessoas. Ou seja: ínfima! Aparentemente!
Até chegar ao seu encontro um desses seres que rondam sua vida, e que te olha nos olhos desfazendo todo esse sentimento de inexistência. Ok, é bacana, mas passa!
É tanta falta que a gente sente. Falta de um grande amor, falta de um grande amigo, daquele momento em que não se faz nada a não ser trocar olhares de desejo e carinho, daquela boa música, da boa conversa...falta de beijo, falta de sexo. Tudo isso quando em nosso poder é meramente descartado, esquecido, pouco valorizado. Mas tudo tem um motivo, isso acontece pra que alimentemos esse ciclo de completude e faltas que cabe a nós, meros mortais fadados a tristeza e solidão. Será?
Se bem que, nesse exato momento se eu tivesse a possibilidades de escolha sobre com quem estar a ler ou a ver bobagem na tv, não haveria sequer mais de duas escolhas. Muito embora eu seja péssima em calculo, aos meu ver dessa subtração entende-se que de duas possibilidades tira-se, no meu caso, a primeira que é sempre a inviável e, restando o que sempre resta; estar só e ser feliz, ou tentar, mastigando as dores e as delícias de o ser.
O que estou querendo dizer, na verdade, é que hoje é o típico dia em que existir não basta!