O título parece o nome daquela musica do Chico Buarque, da qual a frase se remete: ‘ ah, se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir...’. Adoro! Amo. Definitivamente não vejo outra letra pra definir o que sinto agora.
Como alguns já devem saber o amor pra mim é um segredo, algo que se deve guardar, revelar somente para e por alguém. Permanecer nos corações de quem tem o outro como se ele fosse pra sempre o único. Não, ‘não como se’, mas sendo ele pra sempre e o único, ser eterno enquanto dure, sendo um pouco mais clichê!
Essa história do amor ser brega pra mim não faz sentido! Sou eu mesma quem digo e faço as regras do que prevalece no meu mundinho!
Eu amo sim, amo; vou continuar amando. Defina e entenda isso nas conjugações presente e futuro, nunca no passado. Nunca achei que o verbo devesse ser conjugado assim, como se tivesse acabado.
Não se deixa de amar. A paixão sim, é variante, oscila entre o fogo e a água fria que afasta tudo quanto possa ser relevável. O amor não, ele permanece, não deixa de existir. Já disse, nesse caso, não valido o pretérido.
Amo por que sinto falta, desejo, receio, vontade, raiva, excitação, ‘dependência’, ciúmes! Não que esse último fosse a prova de sua existência, mas nessa relação é preciso existir de tudo um pouco.
Assim como a música do Buarque, esse meu amor sente a necessidade de ser ensinado a respeito de como se dá partida, de como não se rompe com o mundo e não se queimam navios. Ele procura saber para onde ir. Por que também nas aventuras das noites eternas já confundiu tanto as pernas a ponto de não saber com que pernas seguir.
Incontrolável, indesejável, eu diria, o meu descontrole ao escrever sobre tal fato. É forte, me emociona. Marca, me enfraquece, desequilibra, me tira do eixo. Não posso negar!
Sobrepondo minha realidade ao que já disse ele, o Chico B.; então, como posso falar de algo que mexeu comigo e foi recíproco sem também sentir que na bagunça do coração de alguém o meu sangue errou de veia e se perdeu?
E, entre tantos enlaces, trocas e divisões, se podem discerni dentro de um armário embutido a sobreposição de peças que fazem parte de ambos os seres?
Com a mesma força se impõem os corpos. Eles também estiveram entrelaçados, enrolados, um na mão do outro! Como pequenos fragmentos possíveis ao tato.
Por fim, como se há de seguir quando se permitiram ambos os olhos serem dominados por tais companhias?!
É a tal busca pela porta de saída que desequilibra e me coloca frente a uma realidade dura de encarar. Foram tantas divisões que em certo ponto não dá pra distingui. Anos de um convívio que valeu a pena. E no fundo, no fundo, cada minuto era pleno, sublime como as doces canções que fizeram a trilha sonora, embalaram os momentos.
Tão curto o espaço entre quando aconteceu e agora, tão insignificante que dá pra reviver cada instante na mente. Como fora prazeroso e ainda me satisfaz reviver. Agora somente recordações refaz a satisfação.
Minha vontade de que esse fim não chegasse é tão forte que me coloca diante de uma ilusão mesquinha. Aquela que faz com que por horas eu espere que algo diferente aconteça, afim de transformar tudo novamente em presente. É uma doce ilusão, e eu sei disso. Tanto desgaste não suportaria mais que se seguisse. Seria injusto para ambos os seres por que transformaria o que ainda existe em algo não desejado.
Ter consciência de que é preciso espaço para reavaliar tudo é o pior. A distância faz sofrer, pois o pouco que existisse do outro por perto seria agradável. Mas isso seria reassumir posturas que não é mais de direito. Daria a liberdade que também não mais me cabe. Igualmente nem ao outro, na verdade. Tudo estaria confuso, sem ser colocado em seus devidos lugares. E o que fazer com tantos encontros casuais que retomam o passado e constrangem? Eu ainda não sei, mas procuro saber como seguir com isso.
E enfim é tão belo tudo que ainda cabe a nós. Já no final, ainda que aos trancos e barrancos, a convivência era por demais feliz. Com bobas e ilegais idéias divididas. Era o que ainda nos sustentava, nos erguia rumo à vontade de um convívio saudável. Porem, tudo que tomou conta de nossas vidas nos últimos meses fez com que magoas ferissem cada vez mais a cada lembrança, presença indesejada. E aí definitivamente entramos em um consenso de que não dá. A prova de que amizade pós-fim é, sem dúvida, uma coisa para seres anos luz à minha frente. E eu aceito.
Que fique o lado bom no que restou. E que seja possível reaproximar depois, com calma e mais leveza nos seres.
Por que é um fim, mas não impede de ser também um ‘Te Amo’!