quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Reencontrar um velho amor!

E depois de muito procurar nos outros, nas coisas e na vida a reciprocidade para o amor que se entrega, descobre-se que um verdadeiro sentimento ainda pode te prender ao passado. Uma pena ter que passar por tantos contra tempos pra só depois perceber o que sempre esteve diante do nariz.
Ah, mas a vida passa tão ligeira que a gente vai deixando pelo caminho, em cada passagem, rua, viela, vidas alheias – pedacinhos de coisas que depois a gente percebe a falta tremenda que faz.
Geralmente quando se mergulha num abismo de sensações, reflexo do impacto que causa permitir que o outro esteja em você, mesmo que você nunca tenha estado nele – com muita sabedoria se abstrai o pior de si e se remonta um universo de novas coisas; possibilidades. E se reencontra amores antigos, outrora esquecidos no baú onde também se guardaram tantas outras coisas pessoais julgadas obsoletas. Eis a hora do grande salto.
Respira-se. Resigna-se. Costuram-se trapos e farrapos que foram caindo principalmente na curva mais perigosa, justamente aquela na qual você mais arriscou. Eis a hora do remendo.
Linha, agulha, pedaços. E aquele sentimento ainda latejando é quem faz com que seus suspiros (re) surjam e os traçados reconstruam através do avesso o bordado. E na costura mais simples - bainha, cós, manga, gancho e margem!
E é no cais que se encontra o recomeço. De onde se parte, para onde se volta. Isso no caso desse amor que é verdadeiro. Fadados a isso, nada pode desvirtuar a volta para esse caminho. É o grande momento.
O tempo então poderoso em sua imprevisibilidade, se encarrega de promover esse reencontro. De reciprocidade, beleza, e leveza - apesar das inesperadas e compreensíveis pontadas de inconstância e medo.
Tudo isso é normal quando se reencontra um amor. Tudo isso é singular quando esse amor é o próprio. Eis o melhor flerte da vida - consigo mesmo.
Refazer o caminho de volta só vale quando é pra viver coisas melhoradas, ou quando é pra se reapresentar ao próprio espelho. Como alguém que voltou a se reconhecer, se respeitar, e se assume em erros e acertos.
Reconhecer-se como um velho amor, desabrocha as pétalas de flores férteis, e desencapa asas para voos mais seguros nos saltos para o amor ao próximo. Esse que vem vindo... 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Do almoço!

Em minha experiência incomum na cozinha,
até a forma como você gostava que eu cortasse a cebola...
Comecei a chorar!
Apesar também das lembranças amargas,
era do ácido da mesma.
Respirei, me reiterei - passou.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Senti(n)dos.

Doses cinzentas de café,
tragos marcantes de cigarros.
Desconstruindo por dentro tudo,
matando na alma vícios vários.
Gostos e desgostos.
Na melodia de sussurros bons,
nos meus ouvidos enluarados.
Noites a dentro de clarões,
florescer dias próximos e (sempre) bem vindos.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Quem nos tornamos depois das tormentas?

Devemos convir que viver, apesar do prazer por perceber a beleza de tudo, requer um esforço grande ao passar por seus contratempos. Muitos deles causam um transtorno que a gente não acredita que vai suportar.
As máximas filosóficas que nos cercam são sempre as mesmas: ‘- tudo passa’, ‘– Decepção não mata’, ‘dor de amor, com outro amor se cura...’. Mas e o que sobra em nós depois das tormentas? A questão é em quem nos transformamos depois delas.
A gente despe a alma pra acolher o outro, revira a vida, se transforma e se encaixa pra ser mais que um – ser plenamente dois. A gente supera traumas, ajuda a supera-los também; ama, respeita, cuida e zela em proporções imensuráveis. Na balança das análises alheias, para uns o problema é ter sido tanto. No peso do que vale pra mim, não daria pra ser menos. A constatação me põe fadada sempre às frustrações? E porque a lógica é não esperar demais pra não se decepcionar? Não é mais justo só entrar quando dá pra dois? Se há mais pra um lado do que pro outro, alguém sempre sairá com um pedaço maior na parcela da dor. Sejamos, no mínimo, honestos com o que pode ser doado ou não. Há quem só perceba no meio do caminho, mas os piores são os que entram na jangada sabendo que ela vai afundar. E pior, sem esforço nenhum pra impedir o naufrago.
Esses, geralmente vivem uma realidade que não existe, criam expectativas irreais e desleais. Erram, são ‘perdoados’, vestem a máscara da figura esforçada e honesta com os sentimentos, relatam ter aprendido com a vida, fracassam novamente e cometem o mesmo erro. Descompensam 2 ou 3 vidas ao redor pelo egoísmo de não perceber que em certos casos a vida pede mais calma e maturidade. O resultado disso é dor, frustração, magoa e decepção num nível pra perto de um abismo.
Ele, nesse momento, passa de um dia pro outro a ser alguém desconhecido - um ‘cidadão comum’ que não se alcança mais. Nem ações, nem comportamento, nem discurso ou a falta dele. Como pode um ser humano ser vários em tão pouco tempo? Quem paga a conta da confusão mental e emocional dos resquícios disso? Que reconstrução eu terei que fazer depois de despir o outro das verdades que cabiam e agora não cabem mais? E como será o reflexo do drama no caminho futuro? Certas irresponsabilidades existenciais são casos patológicos de que algumas coisas não mudam nunca. Só pioram.
Resta calar, se livrar do rancor e carregar pra perto o que não pesa. Oferecer a quem mereça a possibilidade de tornar o outro um pouco melhor, todos os dias. E claro, esperar que isso aconteça permitindo que a mente e o coração só funcionem a serviço do bem.
Ser honesto principalmente consigo, livra o mundo de muita dor – vidas não são fantoches, porque tudo dentro pulsa verdadeiramente; em alguns casos.
Partamos pra outro nível - o de ser MAIS.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Flores de partir.

Viver coisas grandes exige também grandeza.
Amores transtornam o nosso caminho,
e enchem a nossa vida de beleza.
Transitar para fora de uma vida
é abalar a sustentação da sua própria.
Aí, quando resta, sobretudo, a certeza de se ter mergulhado
profundamente num mar de águas encantadoramente extasiantes -
o último suspiro pode valer o peso da eternidade,
mas embevece o coração de contemplação.

domingo, 7 de julho de 2013

O verão romântico de Marcelo Camelo.

Antes de dizer o resto, aviso: aos que não gostam dessa musiquinha cheia de 'nhenhenhen' nem precisa mais continuar a ler o post. O disco sobre o qual vou falar é cheio exatamente de "nhenhenhen's" - aquele barulhinho que o coração dos apaixonados faz no ápice do amor. O ultimo disco de Marcelo Camelo foi gravado em 2011 e se chamou 'Toque dela', produto quase reflexo de seu namoro com a também cantora Mallu Magalhães - que não coincidentemente participa desse ultimo trabalho. Mormaço é o nome do disco que foi lançado em cd e dvd e conta com a presteza de Camelo do melhor que se pode ter de um show voz e violão. Isso mesmo, o show é intimista - passa a sensação de contemplação do mar, num cenário que caberia uma rede, boa companhia e quem sabe um bom vinho. Além de Mallu Magalhães, a outra participação fica por conta do rabequista Thomas Rohrer. O disco trás poucas coisas novas. Ele regrava sucessos dos Los Hermanos, mescla escolhas entre seu disco de 2008 (Sou) e Toque Dela, o já referido de 2011. Não é um disco para surpreender, ao meu ver. Em Mormaço, Camelo refaz o óbvio caminho que a paixão lhe conduziu e felizmente lhe garantiu inspiração pra criar letras quase minusculas, porém eficazes. Aos amantes da música crua, pra quem curte o som de um violão (muito embora não tocado da maneira mais genial), o cd funciona. Os apaixonadinho então, nem se fala. Mas falando simplesmente como ouvinte, eu que gosto de música enxuta, crua - resultado da sinceridade do encontro, o cd emociona. E nesse ponto cabe ressaltar que a escolha da rabeca é certeira. Deixem os 'mimimis' de lato e corram pra ouvir, pra quem gosta de música e SÓ. Sem rótulos, sem expectativas de encontrar super produções, mixagens mil, modernas incrementações. O cd cabe na prateleira pra qualquer dia, principalmente os de domingo. Aqui uma das novidades do disco. Música que eu particularmente achei lindinha demais. Para o destaque do verso: "...fim da tempestade, Vila Isabel. Velha novidade, o teu sorriso bossa nova. Que esse céu azul se mova muito devagar..." http://www.youtube.com/watch?v=4QGKLPoqb-g E aqui pra quem quer baixar: http://www.4shared.com/folder/IkzFQ1ro/Marcelo_Camelo_-_Ao_Vivo_no_Th.html

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O dia 'D'!

Quem um dia irá dizer... Eu poderia começar meu texto completando a célebre frase de Renato Russo, mas não vou. Meu post é sim sobre aquele velho tema foco de tudo na primeira quinzena do mês de Junho; aquele que rende choro, vela e falsas borbulhas de amor em taças amargas de solidão a dois. O grandioso dia dos namorados. Poderíamos fazer uma lista vasta com os mais variados tipos de relacionamentos, sem nos caber julgamento sobre a validade de cada um deles – mas isso duraria e tomaria muito do tempo que eu não tenho. Estejamos atentos ao que importa. Liberdade existe para nos garantir o direito da palavra, do manifesto, da explosão de alegria e do lamento da tristeza. Longe de mim criticar os amantes que enaltecem o amor ou alfinetar os que dizem sofrer de solidão. Temos música tema pra tudo – seja pra segurar seu cotovelo dolorido pelo peso das lágrimas, ou sustentar o salto das borboletas no seu estômago. Pegue o seu hit mais marcante e bote pra romper com a paciência de quem ainda tiver um pouquinho. O amor é um tema tão recorrente quanto o desamor, e os dois fazem parte do cardápio predileto de quem sobrevive do cultivo de tudo quanto é data comemorativa. Talvez nem estejamos aí pra essa coisa toda de estar solteiro ou casado – enrolado, mas é que a celebração é tão massificada que até vitrine brega estampada de corações e chocolates, com um embrulho enorme enfeitado por um laço ROSA parece um tapa certeiro naquela sua área mais sensível. Sou do amor, mas sem melação, porque aí lambuza. Tom Zé, o grande mago das contestações musicais, diria que o amor é um rock e a personalidade dele é um pagode. E pagode é o que fazem com o seu sentimento, amigo. Com salto 15 na cara de quem tá aí super à disposição pra ser amado, ou não. O tema é fértil e instigou clássicos da emblemática (!?) banda Raça Negra, que criou ‘Amor amigo’, ‘Amor bonito’, ‘Amor e desejo’, ‘Amor engraçado’, ‘Amor impossível’ e, vejam só – ‘Amor perfeito’. Amado Batista também diria que amor perfeito existia, sem esperar que um dia tudo fosse se acabar. Adelino Nascimento cantava a bebedeira pelo amor à ingrata. Amar é amplo, contemplativo e abstrato, mas Caetano chegou a dizer que o tal é da cor do azeviche, da jabuticaba e da luz do sol. Chico, o Buarque, canta tanto o amor que em uma das formas para tantos nomes – Lígias, Bárbaras, Luizas...ele disse que ao se conhecer dar-se pra sonhar e cometer desvarios, rompe com mundos e se queima navios. Haja arranjo pra tanto poema rasgado - coisa pouca perto de Vinícius de Moraes, que escreveu um Soneto de amor total. Vejam só, o cabra amou até o fim, amou além; com grande liberdade, dentro da eternidade e a cada instante. Amou como um bicho, sem mistério e virtude. E disparou aos quatro ventos que o amor nem precisa ser imortal, desde que seja eterno. E mais, no corpo da amada prometeu morrer de amar mais do que pôde. Tem amor de todo jeito e pra mais de metro, só não tem caminhão suficiente pra carregar o peso da areia. O tema ficou banal, mas é mais complexo do que correm às bocas traquinas. Vai além de 'Santos', 'Silvas', dias dozes e bodas de ouro ou prata. Na calculadora não entra o substancial, porque o amor não vale o quanto pesa nem o que se apresenta. Por isso que essa lógica mercadológica só faz sentido na teoria das mentes rasas, que priorizam a manutenção de algo que é conveniente. Ao invés de prezar pela simplicidade de ter o que se tem, e ser o que se é. Não tem parceria para o dia 12? Pegue seu banquinho e saia de mansinho, sente e se extasie de uma boa leitura, ou música (vide a minha bula lá em cima) na boa companhia de si próprio. E pra acabar, uma frase que poderia substituir todo o meu texto - pode mais valer um ponto ‘g’ do que um dia ‘d’.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pano pra quem chupa manga!!

Assim como um acento mal colocado, e uma vírgula fora do lugar, deixar de dizer ou dizer demais sobre algo é comprometedor. Em tempo de holofotes bem mirados ao ego dos Narcisos de plantão, qualquer manifestação vira notícia digna de flagra de paparazzi. Ainda que você não seja famoso, muito cuidado amigo! - basta arrebanhar meia dúzia de outros associados para a sua palavra virar palestra forte na mira dos eternos politicamente (pela saco) corretos. E 'aqui pra nós', modinha de viola enjoadinha essa. Vamos combinar que no que diz respeito à moral e bons costumes, nosso povo tá levando nota muitíssimo abaixo da média; mas esse purismo que coloca toda palavra na mira do pente fino da atual ética popular e social, tá acabando com a graça de qualquer 'rebeldiazinha'. Nada de palavrão, nada de mau criação, nada de se manifestar contra anulação política, nada de criticar preconceituoso 'porque ele também tem o direito de se manifestar'. Ok, todos temos, o páreo é duro e no jogo vence o melhor - muito embora não na força da retórica, mas pelo saldo da conta bancária ou da quentura das costas. Na medida do que se pode medir, calcular o peso do que se diz e se desarmar mais sobre as interpretações, pode salvar uma declaração e melhorar o bem estar diário em no mínimo uns 70%. Porque o que mais se tem na rotina da vigilância da rede-social é olheiro de plantão e balas no gatilho da represália. Liberdade de expressão pra que te quero, se não te posso usar? Bandeira do Tropicalismo erguida na porta do (carna)bacanal e Julinhos das Adelaides entregando fichinha de cerveja pra ver o verbo correr solto com a alforria do recalque. Futebol, política e religião não se discute é o carvalho - na prosa ou no verso, perde-se o amigo, mas nunca a pauta pra inflar o umbigo!!!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Só mais uma.

Aqui estou, só mais uma vez, tentando ressuscitar a palavra escriva, viva apenas dentro de mim. Prometo depois de mais este esforço, abandonar o espaço - em caso de mais um fracasso. Mais uma dose para a embriaguez da minha palavra. :)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tirando a poeira!

Quanto tempo faz que não apareço por aqui mesmo?

Muito, muito tempo. Parando pra avaliar o que me fez parar com as postagens, alem do fato da vida ter pesado e o dia já não possuir mais 24hrs, a gente só expressa quando sente. E na verdade eu precisava me localizar sobre tudo e entender o que estava sentindo, acredito que me preparando para o que viria; para o que chegou!

Escrevi em um certo texto a seguinte frase, num momento de buscas:
"A gente poderia parir a própria dor, e arrancar do peito certos desacertos."

É claro que eu expressei o que realmente estava sentindo, mas nunca imaginei que hoje, depois de tanto tempo tendo postado, ela faria tanto sentido.
Vejo que, apesar de odiarmos os clichês da vida, ela gira em torno deles. É o caso de falar sobre as soluções que só o tempo encaminha.

Hoje, parando pra pensar o quanto tudo voltou pro seu lugar, vejo uma pertinência quase absurda no que escrevi há alguns meses trás.
Há um novo caminho, uma nova trajetória sendo traçada. Longe de mim me esquivar de qualquer possibilidade, tanto de sofrer quanto de ser feliz, mas hoje eu posso dizer que de certa forma pari a dor, e arranquei do peito os tais desacertos.

Não garantindo que voltarei ativamente a ser uma blogueira, mas o texto de retorno é um sinal de vitalidade, e de energias recarregadas. E mais, de que aqui ainda há muita vida!! ;)

Pela volta dos que não foram...

A música que tá me definindo:

[Vinheta de Alegria]

“Onde a tristeza levanta, eu espanto.
E o pó vai sem dó.
E insisto na beleza do que já é.
E a cabeça não vê, mas o coração sente!”

http://www.youtube.com/watch?v=NUvPltSxuxc&ob=av2e

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Existir não basta, por hoje!

Tem aqueles dias em que você escolhe tirar pra você, e constrói toda uma cena a fim de parecer feliz dentro da própria solidão. Clássicos 'blablablas' que decidimos declarar junto aos amigos, aos colegas; pra parecer bem, 'cuidando de si'. Na verdade acho que sou um pouco assim, me sinto bem sozinha, curto cinema, música e boteco with myself. Como bem 'determina' meu signo, sou do mundo! Das aventuras, dos casinhos, de muitos colegas e de poucos amigos! Mas como existe um pouco de mentira em tudo que lemos e dizemos, eis aí também uma delas. Sou do ar, mas absurdamente amarrada às tradições do que supostamente rege relações pessoais. Carinho, cuidado, colo, amor e sua variantes me atraem o suficiente pra me deparar num dia como esse de hoje; em que eu tive a sensação de invisibilidade mesmo estando no meio de uma multidão de pessoas cheias de suas preocupações, correndo contra o tempo ou sei mais lá o que. O mais engraçado é que não notamos a presença do outro nem mesmo quando esbarramos e sentimos que um corpo tocou o seu. Nada muda, olhares se ignoram e seguem seus caminhos.
A solidão, ao contrário do que já ouvi muita gente afirmar por aí, não me assusta. O que me assusta na verdade é sua permanência; sua incansável insistência. É essa sensação de inutilidade avassaladora, que deixa o peito do mesmo tamanho em que se transformou sua importância sobre o mundo e as pessoas. Ou seja: ínfima! Aparentemente!
Até chegar ao seu encontro um desses seres que rondam sua vida, e que te olha nos olhos desfazendo todo esse sentimento de inexistência. Ok, é bacana, mas passa!
É tanta falta que a gente sente. Falta de um grande amor, falta de um grande amigo, daquele momento em que não se faz nada a não ser trocar olhares de desejo e carinho, daquela boa música, da boa conversa...falta de beijo, falta de sexo. Tudo isso quando em nosso poder é meramente descartado, esquecido, pouco valorizado. Mas tudo tem um motivo, isso acontece pra que alimentemos esse ciclo de completude e faltas que cabe a nós, meros mortais fadados a tristeza e solidão. Será?
Se bem que, nesse exato momento se eu tivesse a possibilidades de escolha sobre com quem estar a ler ou a ver bobagem na tv, não haveria sequer mais de duas escolhas. Muito embora eu seja péssima em calculo, aos meu ver dessa subtração entende-se que de duas possibilidades tira-se, no meu caso, a primeira que é sempre a inviável e, restando o que sempre resta; estar só e ser feliz, ou tentar, mastigando as dores e as delícias de o ser.
O que estou querendo dizer, na verdade, é que hoje é o típico dia em que existir não basta!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A lá melodia de 'Reis'!

Essa energia que agrega uma legião de seres,
que mesmo a contragosto dos seu quereres,
se embebeda em sua companhia.
A ela que é amante da arte,
e tem a poesia como elemento da alma.
Que brinda ainda que com doses agridoce,
os mistérios e as cores de viver.
Uma força que as vezes seca,
mas tem como fonte a vontade segura
que alimenta um lindo e doce caminhar.
Uma melancolia típica de artista,
que conhece os dissabores e a plenitude
de ser grande e de também ser pequeno.
Ela que tem a bravura de 'reis',
e sabe como ninguém conjugar a vida.
Ela que carrega no dom,
a melodia que compõe o amor!

terça-feira, 1 de março de 2011

A dois!

Em horas de prazer infindo,
quando nos permitimos por instinto,
a versos simples de vidas conjugadas.
Instantes que se eternizam pelo toque de mãos,
que pulsam quando se enfrentam,
mas caminham na mesma direção.
Desfilam por conhecidas curvas,
da leveza desnuda de uma pele macia.
Bailando no ritmo da melhor melodia,
compondo dueto em segredo.
Dos poros que transbordam suor,
e eternizam o enlace de corpos que se desejam.
Faz-se da vida em um instante apenas,
quando se pode abraçar enfim,
o tudo e o nada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E o que a vida quer da gente?

Pedaços das nossas vidas por ai. Cabendo nos espaços que agora já escapam de nossas mãos. Gestos que fogem de nosso controle, e nos colocam distantes, em caminhos que se perdem mesmo quando pretendemos a mesma direção!
Respostas que surgem meio a vastidão do poder de imaginar que motivos há para tanto “se perder”.
Um tempo perdido, uma trajetória esquecida. Linhas traçadas e interrompidas, como tudo que a vida nos pôe e tira das mãos. Ou será que permitimos que ela o faça?!
Aquele desejo de tornar palpável o que o universo decretou ser abstrato demais para nós mortais; que pensamos demais, vendo tudo passar da janela de onde aguardamos apáticos, e de onde não saímos, trabalhando o cultivo de nosso egoísmo e covardia.
Quem passa lá fora tem por nome ‘coragem’, e está longe de caber na pequenez do nosso mundinho miúdo, vazio e escuro, da cor sem luz. Aquela mesma que em ausência mata os seres que dela necessitam pra viver.
“Querer é poder” está longe de ser lema viável para nossas mentes mesquinhas e fracas.
Pensar em fazer a mudança que exigimos do mundo em nós é a primeira das hipocrisias na lista das várias que cabem em nosso caderninho de curtas linhas!
Antes de praticar o que tento ‘questionar’ com essas poucas palavras, eu aponto pra mim que também me sinto inclusa nesse ‘nós’.
O título desse texto interroga o que só palavras-chave, marcadores e notas de rodapé saberiam responder! ;)
Sejamos!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pro café da manhã!

Mais um dia surgindo significa escrever mais uma página ou transcrever uma já rabiscada. Sem escolha entre a que ainda está limpa e a que já foi rasurada.
Eu, que ando sem forças pra escrever minhas próprias linhas, vou deixar minha folha em braço, quem sabe o acaso não se dispõe a traçar-las.
Acordo assim, todos os dias, com esse aperto no peito.
Paro em súplica e digo: “vem sopro de vida me fazer ser um pouco de mim”

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Angustia, seja bem vinda!

Eu nunca fui de querer grandes coisas da vida. Sou simples, meus 'quereres' são quase sempre possíveis.
Queria de fato era que a vida caminhasse comigo, também sem grandes mistérios, sem grandes exigências de mim. Mas na prática as coisas não funcionam assim.
Essa minha amargura eterna sobre as questões da minha própria vida, sobre os caminhos que ela tomou me deixam sem ar. Um nó na garganta que me leva direto a uma realidade que eu repudio. Alias, são realidades, bem no plural. Fatos que se espalham e se misturam e no final rendem um grande e indecifrável abismo interior. Questionamentos sobre tudo, sobre o nada, sobre muito de nada nesse tudo.
Confusão nenhuma me definiria melhor do que essas minhas ultimas linhas.
Hora me recuso a continuar vendo beleza nos encontros da vida, porque os desencontros são trágicos, catastróficos. Dai me deparo com uma beleza humana tão rara que volto a sorrir com o nada, com o vento. Ah, o vento, esse sim sabe de tudo por ai. Queria eu poder existir nos espaços sem ser notado ou visto, só sentido.
Em muitos momentos desisto de sentir, procuro me comportar de forma racional e tento segurar a barra levando a vida a diante, querendo não me abalar com pequenices. Mas como, se essa coisa que mora em mim é maior que eu, tem horas que parece querer sair e me sugar num instante só. Me levando a momentos de subta felicidade.
A gente poderia parir a própria dor, e arrancar do peito certos desacertos. Pra fazer a vida seguir em frente, até que se gerasse novamente dentro de si mais uma grande dor, e se passasse pelo mesmo processo até novamente parir. Na realidade dizem que grandes dores somem com o tempo, em geral costuma-se afirmar que nenhuma dor dura pra sempre! Mas é que a minha demora tanto a passar que pra me convencer de que tudo corre bem, eu mentalizo que sendo igual a todos tenho a obrigação de também passar por isso. Como um processo natural a nós humanos, sabe! Aí até que dá uma aliviada, mas volta, como agora. Quando em escrevendo essas bobagens me iludo com a ideia de que elas diminuirão minha angustia. Quem sabe!
O que na verdade eu não sei é o que quero! Se essa dúvida não existisse já seria uma passo grande pra essa dor sumir.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ser assim, tempo!


Dizem por ai que enquanto criança se escala uma longa jornada em contagem regressiva para a conquista da tal liberdade. Ouço muito isso, e me ponho sempre contra.
Lembro, do pouco que me cabe, que nunca quis ser ‘gente grande’. Pra mim o tempo deveria passar bem devagarzinho, saboreando cada minuto, cada segundo, cada instante.
Ao menos hoje eu não me sentisse assim, como se tivesse deixado algo não vivido ou mal acabado nos instantes do passado. Irrecuperável, morto.
Lembranças não vividas existem em mundo criado por mim, que é como deveria ter sido, bem no pretérito.....O caos isso de querer (re)viver.
Ser gente grande incomoda tanto quanto o ‘tic-tac’ do relógio que determina nossas vidas, mas dói menos do que perceber que cada ‘agora’ torna-se ‘há pouco’ em muito pouco tempo.
Eu mesmo não faço questão de ser essa grande gente que tanto falam por ai. Prefiro ser assim, um alguém filha do tempo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Saudade"

Pra não abandonar este espaço aqui, por pura 'paralísia criativa', vamos do que é bom, sempre!

"Saudade a lua brilha na lagoa
Saudade a luz que sobra da pessoa
Saudade igual farol, engana o mar
Imita o sol
Saudade sal e dor que o vento trás

Saudade o som do tempo que ressoa
Saudade o céu cinzento a garôa
Saudade desigual, nunca terimina no final
Saudade eterno filme em cartaz

A casa da saudade é o vazio
O acaso da saudade fogo frio
Quem foge da saudade, preso por um fio
Transborda em outras águas, mas do mesmo rio"



[Chico César e Paulinho Moska]
Inter. Maria Bethânia (a musa ^^)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Um sopro

Quanta confusão havia nela. E era sempre? Não! Nunca tivera sido assim. As coisas mudaram quando a vida transcendeu para o estágio da identificação com ela mesma. Das buscas e entendimentos sobre a essência da vida. Que difícil, que carga sufocante.

Traumas agora faziam parte de seu futuro. Aqueles do passado, que ‘talvez’ ainda se presentificassem. Uma caminhada dolorosa para ultrapassar aquela barreira, um quebra-molas gigante, enquanto se enfrentava a travessia com rodas minúsculas e impotentes.

E suas exigências que nunca se encaixavam no que via. Os questionamentos sobre ser muito complicada para aceitar o outro, ou ser muito ‘Ser’ para que os outros a completasse.

Idealizações difíceis de serem quebradas, esquecidas, apagadas...E o que era essa força que acelerava a pulsação, esmagando entranhas, transformando em angustia e silêncio cada movimento? Uma complexa tarefa aquela de manter o controle. A constância da nova vida dependia de cada momento, de cada passo; encontro. Um leve bailar por entre o sofrimento, como se devesse senti-lo para evoluir, amadurecer . Por nada mais se ver a fazer senão acolhe-lo.

E havia? De fato, não! E tentar qualquer outra solução era em vão. Estava decretado, imposto; feito. Nada mais entre os dedos, nada mais entre os braços. Sonhos singulares, vazios fartos de recordações, rancores, amores. E era isso que ela queria, amores....amar. Não amores sem cor, mas daqueles que devastam também com dores e sufocam o peito não de angustia, mas de contentamento.

Era de encontros e pessoas vazias que ela estava farta. A vida era mais do que números que preenchem listas rotuladas. Queria sim completude, maturidade e reciprocidade!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O garoto do verbo ‘almejar’!

Quando? Quando é que essa moça vai me notar?

Ele pensava a cada encontro com seu novo motivo de suspiros e sonhos futuros. Linda, cabelos castanhos e compridos, baixa, olhos de quem entende o que ver, e postura de alguém que mistura ousadia e meiguice sem demonstrar fragilidade. Mas como pode apaixonar-se tão facilmente sem trocar sequer meias palavras?

Lucas era um bom moço, mas afastava as pretendentes com suas manias esquisitas, que por sinal não eram poucas. Trabalhava numa loja de cds e tinha a incrível facilidade de se apaixonar por pessoas com as quais mantinha mínimos ou inexistentes contatos. Ele era, e porque não dizer, um amante vulnerável a mudar de idéia diante do primeiro encontro. E tremia muito antes de decidir chegar em alguém.

‘Mas com ela seria diferente. ’ Era o que ele pensava quando trilhava o caminho de volta pra casa, onde sempre a encontrava por tomar seu café ao ler um livro, ou a conversar com velhos senhores que por ali passavam. Ster sequer notava que Lucas a espionava por longos e prazerosos minutos, até ser interrompido por transeuntes que seguiam seu caminho.

Nada mais na vida fazia tanta diferença pra ele, pois todos os dias a monotonia de sua rotina o tirava a vontade de viver o novo. E era esse o medo de se aproximar de pessoas como Ster, que aparentemente ousavam extrapolar os limites dos caretas.

Todos os dias, aquele mesmo percurso, o mesmo cumprimento para quem já o conhecia, namorava Ster à distância por alguns minutos e depois seguia para o trabalho. Fora as horas que passava a noite estudando pra chegar às etapas evidentes que um homem bem-sucedido necessita alcançar.

E foi dito e feito, Lucas conseguira passar naquele mesmo ano numa das faculdades mais bem requisitadas, e logo, logo arranjou emprego na área que tanto sonhava, deixando pra trás a velha loja de discos que tanto lhe dava prazer, e algumas das manias esquisitas. Ster continuava linda, com seus caminhos trilhados e ousando desistir de algum deles quando lhe dava na telha.

Por várias vezes ele esteve perto de trocar algumas frases com Ster, mas não o fez pelo medo que sempre carregava na mochila, pra onde fosse.

O tempo passou e Ster não estava mais por perto. Lucas continuou fechado em seu mundinho, que ele nunca escolhe por onde vai desenrolar. Apenas segue as regras impostas e não se permite ousar e sair da linha em busca de algo que o faça feliz.

Não existia nos traçados da vida dele a possibilidade de largar tudo até então garantido, a fim de investir no amor; em um amor, seja lá pelo que for. Ou qualquer outro sentimentos que lhe tirasse os pés do chão, com a possibilidade de voar, e de também cair!

Das manias que lhe sobraram a que mais o perseguia e incomodava era a de ficar sempre no meio do caminho, no lugar onde só cabe o desejo. Quando a covardia invade o espaço e torna tudo um vislumbre apenas almejável. Mas disso tudo algumas coisas sempre sobram, e nesse caso, sobra a dúvida do que poderia ter acontecido entre ele e Ster, e a velha monotonia dos dias que se seguem.

De fato, o forte de Lucas não era ousar!