sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Hipocrisia Natalina.

Eu sempre fui uma pessoa desapegada a crenças, superstições, lendas, tradições que precisam ser seguidas. Enfim, sempre aceitei desde a infância o fato de minha família me considerar a ovelha negra do bando, por minhas opiniões sempre contrárias.
Nunca vi graça em papai noel, em árvore de Natal e em reuniões familiares pra celebrar tal data, regadas à pura hipocrisia. Historicamente e religiosamente (para aqueles que o são) falando existe algo muito mais ‘forte’ do que representações materiais e vontades forjadas de procurar melhorar o ‘eu’.
O Natal pra mim é uma época como outra qualquer e acho até ser sintomático o fato de todo ano eu ficar triste quando chega perto do dia 24. O fato das pessoas atribuírem tanta necessidade de mudança a essa época Já me soa como algo falso. Somente no Natal as pessoas amam, rezam, agradecem, prometem, são educadas, caridosas, gentis, humildes... ou seja, perfeitas.
O espírito natalino parece um estado que se instaura até o dia 31, e aí quando passa da meia noite todos tiram as máscaras. Se bem que existem aqueles que nem se dão ao esforço de colocá-las nesse período. E eu acho mais digno; se é pra ser, que seja você mesmo. Sendo a vovozinha ou o lobo mau.
Não posso exigir que ninguém concorde comigo, mas o fato é que eu realmente não vejo graça em proclamar a data de uma renovação que só vai existir por dois dias, o 24 de Natal e o 31 do novo ano. Os tais tão esperados.

Inevitavelmente passo o Natal todos os anos com a família e até preparo o espírito pra uma celebração digna, justa, verdadeira. Reflito sim sobre uma possibilidade de mudança, mas sinceramente não vejo graça em agregar certas pessoas que só comparecem nessa época, soltam sorrisos graciosos, e fatidicamente quando entram no carro pra voltar pra casa comentam algo desagradável sobre qualquer que seja a pessoa ou o acontecimento da noite. Não que eu me incomode muito com a opinião alheia, só não vejo graça em querer parecer outra pessoa só no Natal.
Renovação e mudança pra mim se faz no dia-a-dia. Quando erro, tento consertar e não repetir, quando sou educada naturalmente, quando tenho vontade de ser caridosa, quando sou eu mesma sem precisar ser natal. Até quando torro o saco de ser pateta e sou um pouco mais cruel considero uma mudança, e desse tipo eu também faço no dia a dia.
Eu mesma passo por isso todos os anos, amo várias pessoas, mas só demonstro o carinho necessário no Natal. Ou seja, tanta atribuição a essa data até abre espaço pra que eu seja um pouco menos túmulo (rs). Não custa nada demonstrar carinho nessa época, mas pra mim, o espírito do natal é tentar repetir a cena a partir dali e pro resto da vida.

Como continuo longe de ser alguém exemplar, venho tentando trabalhar essa mudança, quem sabe pra durante os próximos anos. Há uma diferença entre querer ser melhor a partir do natal e somente nele.

Boa noite a gente pode oferecer todos os dias, não somente nos dias 24 e 31!

Feliz Natal! Ho ho ho. =p

;)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Entreolhares

Corria entre os dedos aquela vontade de ser mais, de querer mais.

Era cedo, um amanhecer lindo, com um sol sutil de primavera. Flores, aromas, vozes e sorrisos. Clarisse sequer fragilizava diante de tanta beleza exposta ao tempo. Observava discretamente o pouco que aparecia da vida em sua janela, e nada lhe fazia animar. Na verdade, ela não vislumbrava em nada um caminho pra sair daquela solidão. Era amarga, se tornara com a vida.
Poucas vezes enquanto criança corria por entre o jardim sentindo no movimento do seu vestido, que balançava com o bailar do vento, sons de um futuro que ela sequer tinha noção de como seria. E jamais parou para pensar em como o seria. O que a fazia imaginar cores lindas nas horas próximas era exatamente não imaginar. A virtude de pensar não a fazia bem.
Rotineiramente aos finais de semana era comum toda família reunir-se na casa da avó, que inexplicavelmente era para ela o ser mais lindo e encantador que podia existir enquanto possível ao convívio com ela. Existia nesse laço algo que não se pronunciava, algo que não se dizia. Eram olhares carentes e auto-suficientes simplesmente por existirem. Uma troca sem acordos prévios.

Clarisse vivia assustada, falava pouco, menos ainda se pronunciava sobre assuntos familiares e que não lhe diziam respeito. Se quando lhe diziam ela evitava, imagina quando não lhe cabia. Poucos sabiam o porquê de tanto silêncio no olhar, no andar. Era ela um vazio preenchido por escritas confidenciais. Um diário de palavras mórbidas e sussurradas em horas de encontros pessoais quando em sua melhor hora ela se sentia. Nessa hora a menina bailava entre doçuras na escuridão de um quarto escuro.

Pouco querida entre os outros por sua face sempre inexpressiva; sem cor e calor, ela sempre se mantinha distante, quieta, observando quão lindo parecia o mundo dos outros ao seu redor. Pessoas sorridentes, coradas, falantes e extravagantes. Ela desejava tudo isso, mas sentia no conjunto um ‘q’ de hipocrisia que também nunca lhe coube.
Seus pais sempre indiferentes procuravam em tudo o sentido para tanta diferença. Toda a linhagem familiar era esmiuçada a fim de solucionar ‘o problema da menina Clarisse’. Lembranças de seu comportamento enquanto criança faziam desejar uma projeção que não mais era possível a ela. Queriam no espelho a imagem da mesma criança sonhadora e dançante, que conversava com flores e cantava com os pássaros, mas em um corpo de alguém que crescera.

Inútil, não era mais a menina Clarisse, e sim a mulher que precisava de espaço para o ser.
Seu encontro com a paz era sempre quando estava com a avó. O passar das horas mais sentido e abstraído. Era nela que Clarisse se espelhava; quem ela desejava ser quando crescesse mais ainda, e mais, e mais. Um ser humano lindo, de cabelos completamente brancos, com sorriso garantido e face doce como o desejo de toda criança. Não questionava, não retrucava, olhava e entendia. Enquanto todos a criticavam e olhavam com indiferença Dona Zélia acolhia com o sinal de aprovação comum a ela. Sempre o melhor encontro de Clarisse com a vida.
Nunca nada fora pronunciado entre elas que passasse de monossílabas não menos significativas do que grandes frases. Talvez a vastidão de palavras estragasse todo o encantamento do olhar. Olhar era sensível e por si só completava.

Clarisse poderia ter se arrependido por nunca ter sido o que todos foram com avó, mas não o fez por que sentia em simples gestos grandes trocas. Diariamente ela pensava na possibilidade daquele ser um dia ir embora deixando-a sozinha e para sempre solitária. E isso aconteceu, mas Clarisse soube identificar em poucos belas palavras ditas com os olhos. Ninguém como Dona Zélia, mas outros tão especiais e sensíveis quanto, capazes de se comunicar e se respeitar entreolhares. Ela também percebeu que seu encontro ideal era com a vida, embora aquele mundo do qual ela fazia parte jamais a acolhesse como ela esperava. Daí tanto silêncio, era a espera pelo momento certo para se desligar de tudo que não lhe agradava.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Eu quero é brincar de viver!

Tenho apenas a certeza de que viver é sempre a melhor opção.

Renovar-se das quedas e reaprender a sonhar. E eu estou me guiando pela música de Guilherme Arantes, sim. Como ele mesmo escreveu: ‘a arte de sorrir, cada vez que o mundo diz não’, é sempre o melhor remédio.

Eu sou tão inconstante, alias, me tornei. Horas estou completamente desencantada sobre good news, e em outros momentos estou assim, como hoje, feliz, esperançosa. Não que os problemas tenham diminuído ou acabado, até porque eles não somem, as vezes se multiplicam e outras poucas vezes diminuem, desaparecer; nunca. A verdade é que eu me permito estar assim para que as coisas não tomem rumos tenebrosos. Tentando sentir novas emoções e começando a brincar realmente de viver. Tendo a consciência de que ninguém é o centro do universo, com o objetivo de tornar maior o prazer.

Sonhar, imaginar, tentar...são os verbos que melhor simbolizam as possibilidades. Esforçar-se para sentir a vida, abrindo os braços para as novidades, ou cria-las simplesmente pelo fato de mudar. Mudança é a palavra. Tirar a vida de um ciclo vicioso, onde se sai e volta sempre pela mesma ruela. Seguir, fluir, cair, se jogar!

Semana passada eu estava numa fossa daquelas mais ‘deliciosas’ e possíveis à existência humana em termos de ‘derrota emocional’. Segui rumo à praia, sentei apreciando os transeuntes que, diferentes de mim, prezam pela saúde e corriam ao redor dos lagos da linda Orla de Atalaia. Ali, vendo pessoas diferentes e imaginando o que cada uma pensava enquanto circulava aquele lago, saquei que a minha dor poderia ser tanto maior quanto menor do que a de qualquer um, mas mesmo assim eles estavam ali, contemplando o mar, a brisa. Exteriorizando no suor preocupações e sofrimentos, quando não, até alegrias. Não senti inveja, afinal de contas eu também estava lá, mas me senti revigorada; reanimada seria a palavra. Na verdade, não se mede dor, cada ser acolhe-as da maneira que lhes cabe, isso é fato.

O mar tem para mim um significado especial, me completa, me tranqüiliza. Mas o melhor de tudo é que também ele me centraliza sobre as possibilidades da vida. Orienta sobre a imensidão de coisas possíveis ao acaso e ao propício. É o porto seguro das minhas sensações. E agora parafraseando Sophia Andresen: "Mar, metade de minha alma é feita de maresia."

Mas voltando ao foco, e retornando também a Guilherme Arantes, que nos presenteou com a música ‘Brincar de viver’, e que serve pelo menos para mim, como fonte de forças quando eu escuto o trecho: “a história não tem fim, continua sempre que você responde sim, à sua imaginação.” Aqui é quando eu me perco na delícia de poder sentir a música; de poder ouvir nela uma passagem de minha própria vida, ou ouvi-la como um incentivo para mudar os dias não tão bons. Quando não, ser surpreendida com a melodia que embala meus dias felizes. É, sem dúvida, a minha melhor companheira. Vastidão de palavras e melodias variadas que concretizam momentos.

Sem mais delongas, a ordem agora é brincar de viver e reaprender a sonhar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sentires.

Minha dor é muda,
mas fala, grita e pula.
Se contorce,
num inconstante bailar.

Minha flor é solidão,
sabores e desilusão.
Não tem coloração,
nem emoção.

Meu querer tem força,
e ao mesmo tempo é fraco.
Deseja, procura, mas não toca o inalcançável.
E se esconde, quieto e manso.

Minha angustia não tem cor,
mas é grande e notável.
Se esperneia, me alcança e fere.
Brinca, ri e faz penar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A fada cor de vento.

Uma fada da cor do vento parou certo dia em minha janela e soprou realidades de um futuro outrora incerto. Era, quem sabe, um sinal de alerta.

Movi objetos perigosos que pudessem facilitar um possível chamado da morte, comecei a escrever tudo que me vinha à mente, cancelei compromissos indesejados, trocando-os por horas fazendo algo que me desse prazer, ou até me dando ao desfrute do nada. Reconheci erros e perdoei-os também. Fiz boas ações, disse que amava sem esperar respostas, pulei de pára-quedas e comecei a criar ‘coragens’. Desfiz ideais, refiz poemas, despertei vontades e catei sabores. Aceitei o, até então, inaceitável, corrigi linhas tortas, ouvi canto de pássaros, deitei na grama, arrastei o sofá e dancei como alguém que se encanta pela primeira vez.

Falei coisas indesejáveis a quem me incomodava há tempos, sim, até por que a perfeição nem com o medo da morte me acompanha. Voltei a beber, a fumar, e a correr...e por que não fazer tudo de uma vez? Sempre pensei que somente os não fumantes tem fôlego pra passos longos e rápidos. A idéia não é mudar? Então façamos.

Com todas essas novas possibilidades percebi que só o medo da morte me fez mudar de hábitos e convenções. Notei que seria possível tentar antes que qualquer alguém me sopre possibilidades para um amanhã duvidoso.

Enfim acordei, pulei da cama e me senti aliviada por ser um sonho. Que somente agora se tornaria real, por que senti de perto o sabor das mudanças. Agora, sem dúvidas, eu pulo de pára-quedas sem temer altura.

Ora, eu já estive lá.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A novidade que venha dar na minha praia.

É impressionante nossa capacidade de reverter e manipular qualquer situação amorosa a nosso favor. O fato é que, na verdade, o que vou falar ou relatar nesse texto é algo um tanto quanto mais feliz do que as cocós que tenho me metido ou que eu tivera feito questão de entrar, e que, por ventura, tenha contado aqui. Falo sobre as ‘cocós’ de uma forma geral englobando também relacionamentos (no plural entre aspas) sérios porque eles também não deixam de ser cocós, embora mais contidos, amorosos, um pouco menos conturbados...enfim, é FATO, são complicadinhos e dificeizinhos assim como qualquer relação descompromissada; quando não, enjoadinhos (não que EU tenha passado por isso, certo, amigo(s) leitor(es)? #fail Se é que vocês existem). E quem já viveu uma ‘cocó’, por mais que séria e, no entanto, não menos problemática, grita ‘uuuiii’. [senti uma assustadora manifestação, ok? Pourquoi???]

Certo, continuando.....a questão é que não tenho vivido dias fáceis, mas também pra não parecer extremista, não tão difíceis assim, sei lá da p@#$!@#$.

A certeza que tenho é a de que pretendo seguir minha vida empurrando com a barriga (e isso fica fácil no sentido mais físico da palavra =p), ou tentando decifrar o ‘código de barra’ de cada ser humano que surge à minha frente e que, por ventura, cruze meu caminho despertando em mim qualquer interesse.

O caso é que eu estou curtindo, vivendo, apreciando, decifrando, conhecendo, indagando, degustando, abstraindo, traduzindo, compreendendo...PESSOAS. Peguei-me pensando sobre a delicia de descobrir o SER HUMANO; o ser. Nada fácil, hã?

Não que isso já não tenha desde sempre sido um hábito deveras satisfatório e às vezes amargo, mas não quero continuar tentando reverter situações amorosas falidas (e não fálicas-ficadica) pro centro do que eu julgava e, no entanto, era MEU. E ai então to processando dados e decodificando meus comportamentos pra aliviar a barra de tooooodo mundo.

Em certa fase de nossas vidas ‘pecamos’ (pecado, oi?) pelo fato de estagnarmos em determinado estágio, acreditando ser ele quem vai oferecer as novas estruturas para as próximas trilhas. E que somente ele existe, e mais, que outras vidas, pessoas, seres não têm significância alem das que passaram pelo seu mundinho enquanto você esteve nela.

Então, eu parei com isso (ou estou tentando).

São outras realidades, intensidades, identificações...mas não tem como você se acostumar com a presença de alguém em sua vida e achar que ela é e sempre será o padrão que você terá pra sua vida toda, ou que a cópia dela seja a ideal pra você seguir feliz (a não ser a mãe ou o pai, e convenhamos que ambos estejam longe de despertar qualquer interesse, até por que, enfim...#complexodeedipofeelings ;).#NOT (aff, parei com o twitter depois dessa =p). Whatever, pais podem ou não servir como exemplo...mas nunca como cópias. Certo? Thanks.

Estou disposta, querendo e desejando novidade(s). Degustando sabores, vagando pelo certo e incerto, mas estou; sou!
Sou quem sempre fui em busca de um passado que não me faça repetir os erros. Que seja eu; que seja meu. E mais, que me dê tanto prazer como outrora.

É fato, viu (#marcaregistradaeenjoadinhafeelings)?! Eu não tinha parado com o twitter???

# NOT

;)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Linha de passagem.

Uma presença qualquer coisa do tipo sem igual,
que me acolhe a espera das próximas horas,
que logo chegam e desfazem o meu melhor momento.

O vento que agora me sossega é o mesmo que outrora me inquietou,
e em outro momento somente me sossegou.
É o tempo, é o tempo que o traz.
Ele é a ponta de todos os entrelaces possíveis e cabíveis.

Aceito o inevitável mastigando o dissabor de cada segundo.
Como quem morre a cada minuto mais um pouco,
com as novas paisagens da vida.

Imagens desfeitas de suas plenitudes,
que tomam versões negativas aos olhos meus.
Composições inaceitáveis,
desconstruções de um ontem promissor.

Passado que se tornou presente por linhas distintas, restritas.
Presente que se faz vigorar refinando a essência.
Rebuscado e extinto é o que me toma;
prende minha respiração, elimina a razão.

Acelera os batimentos e angustia.
Depois se torna tranqüilo, suave e leve.
Encaixa-se perfeitamente e faz prosseguir.
Mas torna a se revirar, num ciclo indesejado e apavorante.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Flores, poeira e fantasia.

Todos os dias, a cada entardecer, ela sentava-se a espera do moço que vendia flores. Ele passava com freqüência natural em frente ao seu portão, oferecendo-lhe flores, das mais lindas e bem cuidadas, aos sensíveis transeuntes e moradores. Sempre sorrindo, leve, com ar de moço feliz, parecia não se preocupar com nada a não ser em esbanjar o pouco que lhe parecia pertencer. Não transparecia querer nada que não estivesse ao seu alcance.

Nem sempre recebia pagamento pelas flores, quase sempre um café, um pedaço de bolo que era vendido também diariamente pela senhora mais simpática da redondeza. Quem sempre lhe dava em troca de um belo sorriso, um meigo olhar de pessoa vivida e doce, e que, porem, parecia carregar grandes fardos, mas que nunca os fazia transparecer.

Ela, que aguardava pelas flores a cada por do sol, não se manifestava, sequer poderia ter por ele algo que fugisse à inocência de uma pessoa encantada com a gratuidade de belos sorrisos. Simplesmente sentava, aguardava, contemplava e seguia.

Poucos ali tinham sua sensibilidade, outrora percebida por ele, e incentivada com margaridas de cor intensa como seu olhar, que instigava curiosidade.

Tinha ela seus vinte e sete e ele beirando os vinte anos. Ambos encantados, sem sequer trocar uma palavra. Era o enlace dos olhos, a curiosidade por tão bela pureza .

-Quem poderia esbanjar tanta felicidade apenas vendendo flores? Pensava ela.

Cada encontro era cada vez mais esperado, e ela mantinha-se firme. A rua se perfumava quando ele passava. Tudo se encontrava: bichos, pessoas, objetos...Mas era ela que via, que se encontrava; nada mudava, somente ela.

Certo dia ele não mais passou, deixou de clarear a rua que escurecia com o fugir do sol. Ninguém sabia responder para onde teria ido, por que não mais freqüentava a redondeza. E ela, que acreditava que as flores não traem, foi frustrada por tão impossível existência.

Na verdade tudo à sua volta era obscuro, medonho, escondido embaixo de fileiras de livros empoeirados. Esquecidos como conceitos velhos.

Nada fazia sentido senão a presença de tal ser. Tudo que ela poderia esperar àquela altura de sua vida seria ter a certeza sobre a existência de alguém que não tivesse perdido tudo que ela mais prezava. Suas gavetas cheias de recordações tristes voltavam a existir sem a presença dele. Tão pouco era o tempo que ele cruzava a esquina, lhe presenteava com flores e seguia. Um tempo eterno e suficiente para fazê-la fugir da sua realidade. Em si, a moça entendeu que era o fim. A hora certa para buscar algo que lhe trouxesse de volta tudo de mais pleno que ele trazia.

Era hora de tirar a poeira dos livros, de limpar as gavetas e despejar junto com a sujeira tudo de ruim que guardava dentro delas. As roupas, que há tempos não renovava, carregavam dores que por ela foram vividas outrora. As mesmas dores que também a fizeram esquecer de cuidar de si, embora seu olhar continuasse profundo, limpo, suave; a aparência lhe oferecia muito mais anos do que na realidade tinha.

A senhora doce e que parecia carregar grandes mágoas também não mais estava em seu lugar de costume. Era um mundo bonito criado por ela que se desmoronava para que a realidade pudesse prevalecer.

As flores, somente as flores que ela acreditava ganhar dele existiam, e estavam limpas, vivas, diferente de todo o resto. No fundo, no fundo, era ela mesma quem as comprava, e fantasiava ganha-las para sentir vitalidade em algo.

Tudo não passava de pura fantasia, porém, a senhora que cabia em seus sonhos existira. Mas se fora deixando nela a capacidade de criar a sua realidade, onde só as flores e os bons seres existem.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A menina do aquário.

Eu era uma criança cheia de sonhos e ilusões com tudo que me cercava.

Nunca gostei de bichos do tipo cachorros ou gatos, mas adorava peixes, eles me fascinavam. Tinha a ilusão de que o melhor lugar para se morar era no mar, mas os tinha em um aquário, para que estivessem mais perto de mim.

Tão leves, silenciosos, e ao mesmo tempo me diziam tanto. Sim, eu os escutava, brincava, conversava.

Eles me diziam coisas bonitas, por vezes me tiravam de um estado de humor que eu não gostava, que me angustiava.

Por vários anos os tive comigo, mas o inevitável passar das horas me fez crescer e perder tempo para o que eu mais amava. Comecei a dar mais valor ao que era novo e, agora, mais interessante.

Quando adolescente, acho que resguardei aquele silêncio que tanto me atraia, estive por um bom tempo guardada dentro de uma bolha onde só se expressavam os mais falantes, os que mais tinham sobre o que falar, e não que eu não tivesse, talvez o fardo acompanhasse minhas declarações, por isso silenciava. O silêncio sempre me acompanhou, e junto com ele a calma, a espera.

Mais adiante, quando me envolvi nos enlaces fortes da vida, mudei novamente, assim como os bons e os ruins. Mas continuei silenciosa, branda, porem, já conhecendo a angustia e o desrespeito pela espera. Falei um pouco mais, arrebanhei milhões de outros falantes que, por vezes tinham algo a me dizer, e em muito mais momentos poucos me diziam algo que me acrescentasse. Era então o acumulo de informações necessárias e desnecessárias. O vazio e o preenchimento. A compensação.

Algum tempo depois tive mais uma vez a companhia daquelas pequenas criaturas que me faziam tão bem enquanto criança. E então eu é que já não era mais a mesma. Eles continuaram sendo os preferidos, embora não mais me atraíssem como antes. Era fato. Como pode alguém mudar tanto em tão pouco tempo e deixar de dar valor a coisas que faziam parte do seu mundo? E não só os peixes faziam; tantas outras coisas foram deixadas para trás.

Já adulta conflitei com o que me causou mais dor: - entender e aceitar as circunstâncias da vida. Tornei-me um tanto mais fria, menos paciente, e entendi cada vez menos o meu limite e o do outro. Quem outrora fazia questão de sentar em frente ao aquário e ficar por horas querendo estar naquele mundo, agora não mais reconhecia prazer nisso. E foi isso que eu perdi com o amadurecimento, essa capacidade de sentar e esperar; de contemplar, talvez. De olhar as coisas de longe aguardando que o tempo desse encaminhamento, fazendo apenas o esforço de não mudar os rumos com as próprias decisões.

Estou amarga, mais superficial do que emocional. Angustiada com a necessidade de entender as imposições da minha vida. Decepcionada com a fraqueza que por vezes agora me acompanha. Não me reconheço naquela criança calma, esperançosa e forte; que por tantas vezes presenciou o indesejado e suportou com a bravura dos grandes.

Passei cada vez menos a ouvir o outro como se ele não tivesse nada a me acrescentar, mas ainda assim valido essa troca, entendo que ela é a melhor forma de crescer. Sai atropelando e digerindo tudo que me aparecia com a fúria de alguém que parece acreditar que o agora é a hora certa, sem medir espaço, tempo.

Já na lucidez do presente me pego sentido falta da infância, quando tudo era possível, quando meus peixes ainda me diziam algo sobre o próximo passo da vida, que nem era tão amarga assim. Meu mundo do aquário se desfez com o tempo e eu me perco cada vez mais do caminho que volta a ele.

Os peixes sim sempre souberam de mim.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Eu te amo!

O título parece o nome daquela musica do Chico Buarque, da qual a frase se remete: ‘ ah, se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir...’. Adoro! Amo. Definitivamente não vejo outra letra pra definir o que sinto agora.

Como alguns já devem saber o amor pra mim é um segredo, algo que se deve guardar, revelar somente para e por alguém. Permanecer nos corações de quem tem o outro como se ele fosse pra sempre o único. Não, ‘não como se’, mas sendo ele pra sempre e o único, ser eterno enquanto dure, sendo um pouco mais clichê!

Essa história do amor ser brega pra mim não faz sentido! Sou eu mesma quem digo e faço as regras do que prevalece no meu mundinho!

Eu amo sim, amo; vou continuar amando. Defina e entenda isso nas conjugações presente e futuro, nunca no passado. Nunca achei que o verbo devesse ser conjugado assim, como se tivesse acabado.

Não se deixa de amar. A paixão sim, é variante, oscila entre o fogo e a água fria que afasta tudo quanto possa ser relevável. O amor não, ele permanece, não deixa de existir. Já disse, nesse caso, não valido o pretérido.

Amo por que sinto falta, desejo, receio, vontade, raiva, excitação, ‘dependência’, ciúmes! Não que esse último fosse a prova de sua existência, mas nessa relação é preciso existir de tudo um pouco.

Assim como a música do Buarque, esse meu amor sente a necessidade de ser ensinado a respeito de como se dá partida, de como não se rompe com o mundo e não se queimam navios. Ele procura saber para onde ir. Por que também nas aventuras das noites eternas já confundiu tanto as pernas a ponto de não saber com que pernas seguir.

Incontrolável, indesejável, eu diria, o meu descontrole ao escrever sobre tal fato. É forte, me emociona. Marca, me enfraquece, desequilibra, me tira do eixo. Não posso negar!

Sobrepondo minha realidade ao que já disse ele, o Chico B.; então, como posso falar de algo que mexeu comigo e foi recíproco sem também sentir que na bagunça do coração de alguém o meu sangue errou de veia e se perdeu?

E, entre tantos enlaces, trocas e divisões, se podem discerni dentro de um armário embutido a sobreposição de peças que fazem parte de ambos os seres?

Com a mesma força se impõem os corpos. Eles também estiveram entrelaçados, enrolados, um na mão do outro! Como pequenos fragmentos possíveis ao tato.

Por fim, como se há de seguir quando se permitiram ambos os olhos serem dominados por tais companhias?!

É a tal busca pela porta de saída que desequilibra e me coloca frente a uma realidade dura de encarar. Foram tantas divisões que em certo ponto não dá pra distingui. Anos de um convívio que valeu a pena. E no fundo, no fundo, cada minuto era pleno, sublime como as doces canções que fizeram a trilha sonora, embalaram os momentos.

Tão curto o espaço entre quando aconteceu e agora, tão insignificante que dá pra reviver cada instante na mente. Como fora prazeroso e ainda me satisfaz reviver. Agora somente recordações refaz a satisfação.

Minha vontade de que esse fim não chegasse é tão forte que me coloca diante de uma ilusão mesquinha. Aquela que faz com que por horas eu espere que algo diferente aconteça, afim de transformar tudo novamente em presente. É uma doce ilusão, e eu sei disso. Tanto desgaste não suportaria mais que se seguisse. Seria injusto para ambos os seres por que transformaria o que ainda existe em algo não desejado.

Ter consciência de que é preciso espaço para reavaliar tudo é o pior. A distância faz sofrer, pois o pouco que existisse do outro por perto seria agradável. Mas isso seria reassumir posturas que não é mais de direito. Daria a liberdade que também não mais me cabe. Igualmente nem ao outro, na verdade. Tudo estaria confuso, sem ser colocado em seus devidos lugares. E o que fazer com tantos encontros casuais que retomam o passado e constrangem? Eu ainda não sei, mas procuro saber como seguir com isso.

E enfim é tão belo tudo que ainda cabe a nós. Já no final, ainda que aos trancos e barrancos, a convivência era por demais feliz. Com bobas e ilegais idéias divididas. Era o que ainda nos sustentava, nos erguia rumo à vontade de um convívio saudável. Porem, tudo que tomou conta de nossas vidas nos últimos meses fez com que magoas ferissem cada vez mais a cada lembrança, presença indesejada. E aí definitivamente entramos em um consenso de que não dá. A prova de que amizade pós-fim é, sem dúvida, uma coisa para seres anos luz à minha frente. E eu aceito.

Que fique o lado bom no que restou. E que seja possível reaproximar depois, com calma e mais leveza nos seres.

Por que é um fim, mas não impede de ser também um ‘Te Amo’!

domingo, 30 de agosto de 2009

Como se conjuga sentir?

-Hoje? Logo hoje?
Eu vou te fazer feliz logo hoje?
-Não!
Eu já sorri, já arrecadei minha cota de felicidade diária,
já te ‘humilhei’ o bastante,
já fiz com que você fosse chamado atenção por minha presença,
por minha ligação, ação, tesão, canção.
Por tudo quanto possa remeter a mim,mesmo eu não estando.

-Certo, minha vontade não era essa. Mas tinha um ‘q’ de intriga em todos nós. Não sei se somente por querer ‘vingança’, confusão, bagunça. Mas esteve, permaneceu, existiu!

-Eu continuo querendo, desejando, tentando. Ilusoriamente reativando um final feliz pra algo que sequer vai existir enquanto ‘coisa plena’.

-Êpa, existiu. Existe sim!

-É? É mesmo?

-Prove.

-Isso não é preciso. A gente sente e distribui!

-Sem nada em troca?

-Sim. Quem sabe quando eu morrer não me absorvam!

sábado, 29 de agosto de 2009

Minha eterna [ilusão]busca.

Faça-me rir sem antes precisar me fazer chorar.

Era tudo que eu queria, acredito que não somente eu, todos nós. Que fosse possível passar horas na companhia de algo que só transbordasse sensações boas, felizes.

É engano, puro e todo ele. Não somos capazes, somos pouco pra isso. Nem sequer trabalhamos essa necessidade. A de fazer o outro feliz, sem erro, sem dano.

Penso mais no próximo do que em mim por desejar que o outro seja igual. Ilusão, somos diferentes e, portanto, não contemplaremos desejos alheios.

Tudo quanto possa parecer explicável não é. Engana também, esconde, angustia. Faz da busca um caminho labiríntico onde não se encontra nada e, quando se pensa ter chegado ao fim, não é. É o começo, não sei se da dor ou do sublime alívio da alegria. Por que é tudo movido por altos e baixos incontroláveis, irremediáveis.

Sofrer é um vício. Sim eu acredito nisso plenamente. Vício não é tudo quanto podemos escolher entrar, ele se apresenta e você abre os braços e ‘se joga’. Tenta sair mas não consegue. Passa dias sem ele, e ai tem a recaída. Quem controla? Não eu!

A eterna busca pelo equilíbrio é tão cansativa quanto se iludir com a perfeição. Alias, os dois estão ligados, o equilíbrio e a perfeição andam de mãos dadas para que ninguém os alcance. Patifes! Tantos miseráveis seres esperando por tais objetivos inalcançáveis, impalpáveis. Também no sentido abstrato da palavra! Acreditamos no que se faz sentir no seu aspecto material, sem a graça do subjetivo e sensorial. Somos definitivamente concretos. Será por conta disso que não os alcançamos?

Vai saber.

Cansei, desisti? Ainda não. Estou tentando sair de algo que não está me fazendo bem. Apesar de me levar, por vezes, a alugares bonitos, onde eu só poderia chegar ao encontro do que me move, o amor.

Amor por tudo que possa despertar pulos de alegria e ao mesmo tempo arrancar-me dela e me enterrar no desejo da solidão. Onde eu busco o melhor de mim pra subir um degrau.

Mas a escada está longa, tão íngreme e cansativa, dolorosa. E por horas a dor me faz bem, mas não quero, não posso. Vou seguir.

Como dizem os modernos, amor é brega, e por isso eles não amam e são felizes, equilibrados e não sofrem. Fracos; só os fracos amam. Então tá, a modernidade agora me escapa.

Doce ilusão.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A simples teoria do [meu] ‘ser’

Eu falo muito pouco. Ouço mais do que me pronuncio sobre algo. Acredito ser mais válido, mais enriquecedor. Permitir-me enquanto aprendiz de outras vidas valoriza minha capacidade de crescer com a experiência alheia. Não que as minhas já não sejam significativas e, caso eu decidisse, suficientes. Mas prefiro assim.
O conviver é um bocado complicado quando levamos em consideração as oscilações cotidianas, mas permitir-se enquanto pequena criatura em busca de linhas favoráveis ao enriquecimento pessoal, é demasiadamente satisfatório. Não falo enriquecimento financeiro, talvez um tantinho intelectual. Mas pessoalmente gosto das grandezas de espírito, aquelas que me completam mais do que qualquer outra. As que me retiram da simplicidade de ser só um corpo vagando num espaço entre tantos outros, sem oferecer nada a qualquer um deles. Gosto dos encontros ‘chocantes’, marcantes; os que ficam pra sempre, sem dúvidas, sem questionamentos quanto ao existir e por isso já bastar. Sim, sim, talvez também valorize o colhimento do que não é duradouro. Mas gostar, gostar mesmo, só das durações. Elas sim me completam, me jogam contra o eterno trabalho de aceitar o fim.
Está ai a minha grande questão, o fim. Nunca entendi, desde criança, como podemos aceitar tal quebra, tal limite entre passado e presente. Talvez essa interrupção não desconstrua a eternidade do que foi dividido a cada dia significativamente, mas existe a falta físico-psicológica que marca; que maltrata. E é essa a realidade que não somos, digo, não sou capaz de aceitar. Tudo bem, em termos de perda física e também espiritual nunca tive grandes, mas trabalho isso dia-a-dia com experiências mais simples, no afastamento de um amigo, de um parente.....Questiono e interrogo-me a cerca de como seria capaz de suportar tal evolução. E aí, paro, volto e me reconstruo a partir do ponto inicial. Com resquícios do passado, claro, não sou perfeita.
Sou simples, gosto das coisas simples. Elas me dão prazer mais do que qualquer outra, mais do que as complexas e desnecessárias. Estou mais para festa no sítio do que para 'buffet' em grandes salas com pessoas bem arrumadas e com suas máscaras hipócritas. Claro que são, todos nós temos dela um pouco. Não só nos grandes salões elas se instalam. Mas prefiro que existam onde sinto que há mais verdades, onde eu busco a minha realidade, a minha essência. De onde eu puxo toda uma infância que eu gostaria de ter vivido e não o fiz. E sinceramente não é em grandes salões o meu desejo de ter vivido enquanto criança, ou em qualquer outra fase da vida. Gosto de cheiro de mato, do orvalho da madrugada, de tomar banho de chuva sentindo o sabor da pureza; pisar na terra, madrugar por horas na escuridão bucólica, onde se pode ter a fogueira ao redor de grandes seres, cantarolando músicas que nos presenteei com tudo que necessitamos. É nesse lugar que minha alma se renova, se [ré] constrói. A verdade é que tenho pouco disso, queria mais. Mais verdade, mais simplicidade, mais limpeza no [meu] ser, mais música.
Por que ela sim me entende, dialoga comigo, ameniza minhas dores, minhas necessidades, meus amores. É um encontro sensível e estupendo. Que me tira da realidade para uma outra mais leve e bonita/breve. Uma constituição de entendimentos longínquos capaz de satisfazer a gregos e troianos. A fórmula mais perfeita que se poderia obter da ligação entre sensibilidade e sentimento. Esse sim é envolvido direta e indiretamente por ela. A música me faz sair do lugar onde estou e viajar pelo passado e presente em frações de segundos, milésimos. A minha melhor dança das horas, o meu melhor perfume.
Acredito que aqui cabe parafrasea-lá. Maria Bethânia diz: “música é perfume”. E não é por acaso que a reconheci/escolhi ser a preferida.
Em um jogo mágico de interpretação, sensibilidade, bom gosto e inteligência ela faz com que a tal música, sobre quem eu falava há pouco, seja tudo o que mais prezo no campo da arte. Sim, mais do que peça, mais do que filme, do que pintura...Ela me toca significativamente.
Para mim, música também é perfume. Ambos me remetem a lugares, pessoas, coisas, gestos, particularidades em mínimos, e ao mesmo tempo máximos, lapsos. Quando escuto uma música que já tenha feito parte de algum momento especial, imediatamente abro um sorriso despretensioso e automático. Conseqüência das recordações obtidas através da sonoridade que instiga a sensibilidade. É quando eu consigo materializar a música, através dos momentos.
O mesmo se dá quando na convivência condiciono, por mais que involuntariamente, minha mente a relembrar coisas/pessoas a partir do cheiro. É instantânea a ligação que faço entre o aroma e a pessoa, o lugar, o instante.
Assim me completo. Só assim posso trazer para o presente um passado feliz que me deu prazer. De que outra forma seria possível, se vivemos deixando pra traz importâncias, plenitudes de momentos sublimes? A meu ver, de nenhuma outra forma se não a partir da memória, da audição e do olfato. Alem de pessoas, claro. Sem elas nada seria completo. Não existiria troca, entrega, experiência e, sobretudo, sofrimento. Ele também move esses sentidos com a força maior. É quem nos impulsiona em busca do oposto, a felicidade. Anfitriã do nosso retorno pós-sofrimento.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Falta e complemento.

Falta agora a ânsia pelo ver,
a agonia incontrolada da espera,
o suspiro profundo do alívio ao possuir.

Falta ainda a coragem de dizer,
que mesmo com essas ausências,
é querido ter.

Falta também a declaração precisa do tempo,
de que mesmo a separação não é pra sempre;
e que existe amor ainda no querer bem,
e querer, conter e sofrer, não é temer.

Existe agora o momento em si,
dado passo por passo,
esperando o numérico massacre das horas.

Falta sim é a coragem de esquivar-se diante
das evidências.

O que falta, na verdade, é coragem.


[tenhodito]

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Auto-controle! Você tem?

Pensei em escrever hoje algo sobre auto-controle ou a falta dele, e eis que me pego lendo uma Coluna na Revista Época sobre o respeito ao próximo em um ambiente que já fora reduto de pessoas civilizadas que freqüentavam afim de assistir ao filme; o cinema.

A colunista Eliane Brum escreveu sobre sua desistência por freqüentar o cinema, apesar dele ter sido sempre um lugar que lhe proporcionava prazer. A falta de respeito das pessoas que ali se encontram ou a liberdade oferecida por certos pais a adolescentes mal educados fez com que ela, a exemplo de tantas outras pessoas, deixasse de freqüentar o lugar e [quase] perdesse o limite sobre aquilo que julgamos ser o nosso auto-controle. Extrapolar no momento em que se espera o mínimo de respeito possível ao próximo é deveras aceitável.

A partir dessa situação eu reflito a cerca de várias outras vividas por mim e por qualquer outra pessoa civilizada da face da Terra e uma delas, inclusive, já fora relatada por mim em outro post. O fato é que tanto a colunista aí quanto eu nos parecemos enquanto seres de paz e que só perdem o controle com alto nível de irritabilidade e, no meu caso, com doses a mais de álcool no sangue.

A verdade é que muitas coisinhas me irritam de forma irrelevante, mas o acumulo delas é que faz a diferença. Ok, não sou um exemplo de ser-humano a se seguir, mas fujo da modéstia no que se refere a valorização e o respeito ao próximo e, sobretudo, prezo infinitamente pela educação. Por mais que vez ou outra eu fuja à regra e seja um tantinho ignorante.

Em primeiro lugar, conhecer uma pessoa garante a você um grau de intimidade que, pelo menos a meu ver, possibilita o entendimento a respeito dos limites e liberdades doados pelo próximo. Dessa forma, independente de sermos amigos de anos ou o outro ser apenas um transeunte com quem você por ventura esbarra, as limitações devem ser respeitadas acima de qualquer intimidade ou a falta dela.

A falta de limite de certas pessoas já me tirou do sério, mas eu admito que tenho trabalhado muito bem essa questão de entender o outro como alguém que talvez não tenha a mesma consciência que eu e, por isso, esteja invadindo a linha do “até aqui chega”. Na mesma proporção não entendo o porquê de você possuir uma bolsa vazia na mão, resolver chupar uma tangerina dentro do ônibus e mesmo podendo jogar as cascas na bolsa pra depois coloca-la em um local propício, faz isso arremessando o lixo pela janela do veículo, acumulando a sujeira toda em um dos lugares ‘menos freqüentados’ de Aracaju às 18 h; o Terminal DIA.

Fora os problemas ambientais que esse ato trará, sendo eles mínimos ou máximos, existe a minha imaginação ao ver a cena e refleti-la confabulando a respeito de como seria o quarto ou a casa do indivíduo.....huuummm...Whatever, tkanks God for my education.

Igualmente também não entendo porque em um lugar superlotado você precisa atrapalhar a passagem fazendo uma ‘linha humana’ fechando o corredor de uma didática, desfilando e conversando sobre a próxima cor que vai colocar no cabelo ou até quem vai ser eleito o garoto mais bonito da sala. Fora os motoqueiros que ocupam o lugar dos pedestres e ainda os insultam por estarem no espaço que, na mente deles, os possui.

Mas se eu fosse decorrer aqui sobre tooodas as coisinhas irritantes do dia-a-dia seria necessário escrever um guia de como se comportar, seja ecologicamente, eticamente, ou amigavelmente falando. E longe de ser hipócrita, esse guia serviria pra mim também, fica a declaração!

O meu entendimento sobre o que seria respeitar o limite de qualquer pessoa apóia-se na teoria de que, em primeiro lugar, eu não farei com os outros o que sei que não gostaria que fizessem comigo; segundo, embora seja completamente normal desrespeitar alguma regra, sigamos tentando ser éticos e educados, e em terceiro, conhecer o próximo já é o passo para que eu saiba até onde [se] devo ou não ir.

Entender a necessidade de chamar atenção colocando o outro em uma situação desagradável, fazendo comentários mais desagradáveis ainda é moleza, visto a barra que é encontrar a pessoa com quem você passou seus intensos últimos meses com um outro 'par'. Nesse caso eu entenderia completamente a falta de auto-controle de qualquer que fosse o ser-humano. Mentiiiiira, viu.
Infelizmente minha personalidade, os astros ou o meu dia de nascimento, ou seja lá quem for o responsável pela manutenção desse ‘equilíbrio’ me impede completamente de esmurrar quem desafia minha paciência e cruza[interfere-interrompe]o meu caminho. E as várias situações vividas por mim ultimamente comprovam fatidicamente essa afirmação! É isso, eu tenho auto-controle, sorry!

Meus amigos (alguns) são conscientes de que eu só perco o limite financeiro e na última alternativa o emocional. Muito embora eu ultimamente tenha me perdido no emocional, e resistido muito mais nos outros.

Então pessoal, vamos lá nessa campanha rumo ao convívio mais 'disciplinar' e respeitável? Tenhamos limites e respeitemos o do outro pra não ser preciso avaliar o auto-controle, ou até passar a conhece-lo somente depois de já tê-lo perdido! Que dirá chegar ao ponto de agradecer por isso!

Como diz o Lenine:

[...]enquanto todo mundo espera a cura do mal,
e a loucura finge que isso tudo é normal,
eu finjo ter paciência[...]

Cultivando descontroladamente a paciência! ;)

Paz e amor na terra do terror.

=p


=*

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A minha confusão do dia-a-dia!

Passo a viver dilemas e angustias antigas(ou nem tanto) e mal vindas.

Quem pode entender o que pretende o amor, a paixão? Que ser - humano já descobriu a fórmula mais fácil de seguir com o pé no chão, firme, ao fim de um relacionamento?

Andei lendo sobre a necessidade do conflito com o outro após o término de uma relação, explicando-se como um estímulo que parte devido à nosso desejo de se mostrar superior ao outro, de se sair melhor. As ofensas ditas nos momentos últimos são sempre desagradáveis de se ouvir e, com certeza, também não agrada a quem diz.

O fato é que me atenho agora a uma nova situação que me prende mais à mágoa do que à sensação de perda. A perda pode ser aceitável com o tempo, com a maturidade, com o esforço para entender a inevitabilidade do ‘desapego’. Mas a mágoa passa a ser o contraponto entre o que era belo entre dois e a decepção por conta das novas atitudes do outro.

Entender o ser – humano passou a ser o motivo de grandes textos, análises, conversas sobre a dor, sobre o sofrimento que outrora é causado por uma ‘quebra’ em qualquer que seja o tipo de relação: amizade, namoro, casamento, noivado. Enfim, o dilema é aceitar o término, o ponto final, e seguir feliz como se nada tivesse acontecido, ou superando da melhor forma. No caso específico de namoro, existe um ponto deveras complicado, que passa a ser, em certos casos, a existência de um terceiro elemento que já anda rondando um terreno que já fora ‘seu’.

Pior ainda é quando você, que agora passa a ser amiga (se é que isso existe), é colocada em segundo plano e ver o terceiro elemento invadindo completamente a área, embora ele já tenha retomado seu próprio relacionamento. Mas esse tal elemento entrou apenas para ser amigo, depois de já ter subido um degrau e voltado ao posto mais simples da cadeia, e muito embora tenha retomado seu próprio relacionamento, não consegue se distanciar de quem você ama, ou amava? Não, não, para mim, amor não tem fim! E isso é assunto para um outro post.

De qualquer forma, várias coisinhas desagradáveis acabaram me deixando extremamente ressentida, desenganada, sei lá. O fato é que não há mais confiança, não há mais um forte sentimento, talvez não haja mais valor em tudo que foi vivido. Houve uma desmistificação de um amor que sinceramente ainda existe, por que como disse antes, amor pra mim é eterno, pra sempre. Desmistificação por tudo ter sido intenso, verdadeiro, sublime, pra ser mais verdadeira; e, de repente, não é que ele tenha deixado de ter valor, só começou a ser questionado e posto no lugarzinho dos amores bem guardados. Deixado um pouco de escanteio para ser [re]avaliado, com o objetivo de que se torne pleno, eterno, ou não!

Com isso descarto a idéia de que ele não poderá reacender? Não! O fato de ainda ser forte assegura essa possibilidade, mas essa avaliação é justamente pra entender como ele poderá ressurgir e, alias, se poderá [deverá] faze-lo.

Não tenho a intenção com esse texto de espantar os monstros que tem me rondado, só queria escrever, dizer, sei lá...Questionar-me a cerca do que vai mover minha vida a partir de agora, de onde vou tirar forças pra seguir sendo madura, firme. Respeitando as evidências da vida. E é isso! Como disse um amigo: 'localizo-me na rua da amargura no cruzamento com a Avenida da solidão..', e....


FIM.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Ilegal, Imoral ou engorda!

Não é que me lembrei agora de um momento deveras ‘interessante’?

As pessoas dizem que algumas doses de álcool me deixa um tanto quanto ignorante, como se eu normalmente já não fosse um pouquinho. E aí relendo o post do São Pedro em Capela eu me lembrei de uma cena deveras engraçada, isso por que realmente não tenho juízo.
Só ressaltando- e no final de tudo vocês vão ver que é verdade- eu sou calma, só não gosto de injustiça. Mas admitindo...quando bebo fico realmente sem paciência pra muita coisa.....go on...

Estava eu na fila do banheiro químico de uma festa quando vejo surgir uma briga entre as garotas presentes. Passo a me comportar então como uma boa apaziguadora que sou, e invento de tentar aliviar os áres. Eis que no meio da confusão um rapaz, para o qual a melhor definição seria PALHAÇO, inventa de pegar o bendito celular pra gravar as meninas e, sendo assim, a mim também.

Prestou?? Não, não, realmente não prestou. Tudo bem, ali é um lugar público, pode existir esse tipo de coisa a qualquer momento, maaaaaaaaas, a minha pessoa não admite ser fotografada, e muito menos filmada por qualquer que seja o indivíduo desconhecido, ainda mais naquelas circunstâncias. E mais ainda, por um palhaço que tinha realmente más intenções, interprete-se a cara de psicopata que ele fazia no momento.

Eu, como boa cidadã civilizada, peço ao rapaz que, por favor, não continue a tirar fotos ou filmar, mas ele insiste. É, a coisa piorou. Todo o meu espírito guerreiro indígena ressurgiu naquele momento e fez de mim um ser extremamente ignorante, definindo o rapaz de qualquer palavra que surgisse em minha mente. A confusão então se instaurou agora com a pessoinha aqui, e toooooodos os meus amigos vieram me segurar por que eu parecia querer partir 'pra cima' do rapaz. Ora, ora, eu? Claro que eu não faria isso, ainda tenho um pouco de sobriedade nessa vida.
Parto agora para algo mais civilizado ainda e procuro um dos policiais presentes na festa deixando-o a par do ocorrido, e o que o queridinho me diz??? “Procure o dono do estabelecimento e relate o fato a ele.”

Ok, segundo passo: ‘fulaninho de tal, este rapaz descarado ê fdp estava filmando e tirando fotos minhas no seu estabelecimento, o que você realmente pode fazer a respeito?’

“Senhora, procure seus direitos com a justiça.” Oi?????????????

Sinceramente eu não esperava que ele fosse prender o cara e manda-lo pro quinto dos infernos, até por que é muito para uma festa pública. Mas aí se minha foto aparece na internet, ou em qualquer outro lugar, como o carinha bem quisesse, o que eu faria com o outro infiteto dono do bar? Nada, não é? Até eu conseguir provar que o palhaço que tirou minha foto estava em determinado local, em certa data, e usou-a sem autorização eu já teria morrido deixando o problema para os meus netos, e eles da mesma forma para os seus!

Não sei quem pensa diferente, mas se sou eu que me encontro enquanto dona de um estabelecimento e tenho conhecimento sobre o ocorrido, procuro uma forma de pedir ao palhaçinho que move it away, no mínimo.
Sei que não agradaria muito as revistas pornôs, mas estou no meu direito, obrigada! ;)

Tudo bem sociedade, cuidado com fotos tiradas por pessoas desconhecidas, elas podem ser usadas para fins não lucrativos(=p). Mas se isso acontecer, releve, deixe pra lá, não há nada a se fazer. Tem gente que pode copia-las em seu orkut mesmo.

Ai, que dó, Brasil!

Será que devemos nos conformar com tudo que é 'ilegal, imoral ou engorda'?! Vai saber...

*Salve, salve o homem que de tanto comemorar os 50 anos de carreira, ela já deva ter passado dos 100. Que é a quem pertence o trecho e tema da música usada acima, juntamente com Erasminho Carlos. Robertão, sucesso!!

rs

=*

A volta dos que realmente não foram!

Então, pra continuar aquela outra historinha do 'F' e o 'V', eu vou ter que citar João Bosco, eu tenho que fazer isso. Por que o amor é bem definido por ele, muito bem por muitos outros também, mas...eu tenho que escolher um e repetir minha diva vai fazer com que esse blog fique ainda mais chato. Pois bem...

Não é que de tanto o 'V' insistir, rever, reavaliar, investir no romantismo, 'F' resolveu se render ao inevitável? Não que o 'V' seja tão egocêntrico assim, mas é que quando existe amor as coisas ficam realmente mais complicadas. E nessa historinha existe, e muito. Parece que 'F' não tinha realmente ido de verdade, né?

Dai, 'Fzinho' resolveu cair nos braços de 'V' e tentar mais uma vez, o que fez com que 'V' ficasse feliz da vida e sorrisse novamente.

Sendo assim, parafraseando João Bosco: "a questão é querer, desejar, decidir.....quem pode querer ser feliz, se não for por amo?"

aaaaai, adoooro!

=*

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Historinha pra 'boi' ter insônia!


Era uma vez um 'F' que se apaixonou por um 'V', os dois emplacaram um relacionamento de dois anos, muita entrega, confusão, amor e intensidade; com idas e vindas que desgastaram o relacionamento quase que por completo. E ai definitivamente o término, e 'F' após passar por miseráveis dias resolve pensar a vida de uma forma diferente, e “cai na gandaia”. Eis que 'F' re-conhece uma outra pessoa e começa a desenrolar uma paquera, e ai o que acontece? 'V' fica puta da vida com a sensação de perda e resolve lutar pelo que quer. O que 'V' deseja? O 'F', ora!

Até agora 'V' só conseguiu acertar uma conversa entre os dois e espera desesperadamente por uma volta.

Ó vida cruel e traiçoeira, não?!

Conselho do post: não fique tão seguro quanto a sua sensação de que o relacionamento não dá mais certo, realmente! Ou até que imaginar ver seu ‘F’ em outra não vá te causar tanto estrago, porque causa, ô se causa!!!!

Fica a diquinha! ;)

domingo, 5 de julho de 2009

A festa do 'Mal-stro' em Capela-Se


Essa historinha que vou contar agora não está sendo criada para divertir pessoas, ela realmente aconteceu com a pessoa que vos escreve.

É sábado de São Pedro e eu acabo de receber a ligação de minha madrinha que há tempos não aparece. A ligação era pra me fazer um convite pra ir passar o São Pedro na casa dela em Capela-Se, onde tudo acontece nessa night. Ok, eu fiquei deveras feliz pois como já tinha dito ela reapareceu em minha vida me trazendo uma proposta até então interessante. Como a minha intenção tivera sido essa quando comentei com outra tia que estava com vontade de ir a Capela na festa do santo casamenteiro, e esse comentário vazou até o ouvido de minha querida dinda, eu fui, e levei de quebra uma amiga que me acompanha em everything nessa vida.

Pois bem, trabalhei o sábado inteiro pra pegar uma topic o mais cedo possível e seguir em direção a terra prometida, creia! Quando estamos entrando no tal carro que nos levaria temos o nosso primeiro sinal de que aquela viagem sairia caro. O motorista informa que a passagem para a santa terra seria R$10, 00, e que nenhuma outra topic sairia por um valor mais em conta.

Eu pagaria esse valor linda se não ficasse sabendo que antes das festas uma passagem pra lá era R$7,00, vida que segue, man!

Eu dormi o caminho inteiro e acordei exatamente na hora em que chagamos na cidade. Eu e minha amiga felizes e eufóricas com tantas pessoas nas ruas e tal e coisa...Na primeira esquina que a gente para pra ligar pros nossos entes queridos, o que acontece? Um 'miserave' dispara o bacamarte(uma arma tradição de Capela que é disparada de 3 em 3 segundos em qualquer ponto do local), e me coloca em choque por mais o menos uns 10 minutos.

Maaas, eu acabei de chegar, não vou me irritar com pouca coisa, né? Vamos lá, ligo pra meu primo e ele vem de moto pegar nós duas, e ta aí uma coisa interessante, eu adoro andar de moto embora faça isso quase nunca em minha vida.

Chegamos até a casa, aquela alegria toda, nunca mais tinha visto ninguém que ali se encontrava e talz...Todo mundo já se arrumando pra festa a noite e nós não poderíamos ficar de fora, vamos nessa.

Seguimos até a praça de eventos, um lugar apertado, com uma sonorização terrível, e que disponibilizava para os festeiros um único local onde se aglomeravam dezenas de banheiros químicos que poderiam muito bem ser distribuídos em toooooodo o espaço da festa. Maaaas, quem liga pra uma ínfima necessidade física, quando se pode fazer a mesma obrigação atrás de qualquer carro que esteja estacionado em uma das ruas da cidade? Eu penso assim, até por que a quantidade de vezes que me dirijo ao banheiro é exatamente proporcional as unidades de cervejas que ingiro. O que significa que necessito ir ao banheiro a cada latinha que bebo.

Bom, vamos nessa....noite que segue encontrando várias pessoinha da minha área e amigos afins...voltamos pra casa sem muitas novidades da noite que passou. Mas restava uma esperança, teoricamente o dia em Capela é mais divertido do que a noite, essa era a nossa esperança.

Acordamos, tomamos nosso gole de café pra rebater aquela ressaquinha que não quer calar, mas resolver, resolver mesmo, só mais uma cerveja. Né? Então sigamos rumo a praça mais badalada e movimentada da cidade, como se toda ela já não estivesse. Encontramos amigos que estavam no mesmo local, bebemos algumas cervejas e partimos para um outro ponto de onde se podia ver melhor as coisas e tomar uísque com Red bull. Aff, alegria em para ali, viu. Maaaaaaaaas, uns parentes meus resolvem aparecer e um primo que eu particularmente gosto aparece também nos fazendo um convite até interessante. Partimos da cidade para uma casa mais afastada de toda aquela movimentação. E lá ele me aparece com um cavalo, e eu que sou viciadinha nessas coisas, resolvo dar uma volta. Se instaura uma confusão pra subir no bicho, o que fez com que meu primo me agarrasse e me levasse pra cima do animal. Nessa hora eu fiquei confusa e pensei que algo teria caído do meu bolso, mas era São Pedro, eu já tinha bebido e realmente não ia me preocupar em procurar saber se todos os meus pertences estavam me acompanhando.

A minha amiga sem noção resolve andar comigo levando em uma das mãos um monte de apetrechos dispensáveis ao passeio, e finda por cair do cavalo, literalmente, por conta de sua insistência em segurar em mim com apenas uma mão.

Explicando melhor: meu primo esqueceu de me informar que aquele cavalo jamais, eu disse JAMAIS passaria por qualquer rua que tivesse fogueira ou pessoinhas soltando fogos. Tudo bem, eu sei que animais são assim, sensíveis, entendo. Mas, ora, ora, em pleno São Pedro quem vai soltar fogos nas ruas??????? Eu respondo: TODO MUNDO! ;)

Seguindo...minha amiga caiu do cavalo por estar segurando com apenas uma mão como eu já havia dito, o cavalo empacava a cada esquina e só saia quando eu dava umas batidinhas mais fortes onde se bate de costume em cavalos. Só lembrando que eu não sou de maltratar animais, mas o meu desespero era tamanho que me fez perder a cabeça; com minha amiga bêbada falando besteira atrás de mim, com o cavalo que insistia em não sair do lugar, com meu cel que insistia em cair no chão e com everytinhg naquela noite. Alem do mais, amigos de Aracaju estavam nos esperando e ligando o tempo todo pra assistirmos ao jogo do Brasil que teria acontecido as 15:30 da tarde. Nesse momento acredito que já estivéssemos as 21:00 horas!

Pois bem, somente quando eu disse uns três caralhos pra minha amiga e mandei-a ficar calada, conseguimos finalmente voltar até a casa de onde saímos, recebendo várias perguntas sobre onde estivemos esse tempo todo e talz..

Quando eu chego na casa e recolho meus pertences afim de me certificar de que está tudo comigo percebo que um dos meus celulares não se encontrava em minha posse, e muito menos com alguém que estava no local. Uma coisa deveras estranha, por que o celular que caíra várias vezes no caminho estava comigo e por que eu realmente não sou de perder nada. Pois é, a nova missão, procurar o celular. Me desloco com meu primo por todo o caminho onde fomos e nada do telefone, pensei até que na confusão pra subir no cavalo teria o feito cair na porta da casa onde estávamos e alguém de bom coração o teria guardado, mas isso não aconteceu, assim como acha-lo também não. Isso seria até irrelevante se não fosse o fato dele ser novo e eu não ter quitado sequer a mísera primeira prestação. E falo isso por que todas as outras serão muito mais dolorosas, uma vez que não terei mais o objeto.

Bom, a miseria acabou?? Que nada.

Paro pra tomar um cole de cerveja e respirar depois de toda essa confusão e vejo minha amiga chorando do lado, afirmando estar sentindo muita dor, mas se recusando em ir ao hospital. Ora ora, Capela tem hopital, em pleno São Pedro? Claro, o mais complicado é conseguir chegar lá, pois as ruas estão cheias com carros, pessoas, fogueiras, caixas de som, bacamartes, bêbados e bla bla bla.

Depois de muito insistir pra ela entrar no carro pra meu primo leva-la, eis que conseguimos arrasta-la até o hospital, e pasmem, existiam pessoas lá e até uma enfermeira que não sabia aplicar injeção, mas que até medicou my friend sem noção.

Ah, esqueci de um detalhe, eu fui andar a cavalo de bermuda e fiquei com um hematoma terrível na perna, que me rende dores até hoje. E no futuro minha perna que não possuia mancha alguma vai ficar com uma marca medonha por conta dessa loucura desenfreada. MEDO! =/

Saímos do lugar e eu já estava puta da vida mesmo, daí pensei, o que seria mais divertido, continuar naquela cidade que me trouxe tanto azar ou desenrolar uma topic que me levasse até a minha cidade querida, para rever meus amigos e curtir um show maravilhoso de Elba Ramalho?Então, nem tive dúvidas, pra onde fomos? Pro ponto das topic's 23:30 da noite loucas para chegar em Aracaju após uma viagem de mais ou menos 1:30 horas.

Topic até tinha, mas faltava vontade do motorista pra nos levar embora daquele inferno. Somente depois de mais ou menos uns 40 minutos, e muita reclamação de quem estava esperando pela saída do carro o motorista resolveu ir embora. Qual era o problema dele? Ele teria que esperar o veículo ficar lotado pra poder se movimentar. O que eu tenho a dizer sobre o moço: "é um palhaço filho da puta, de certeza"

Enfim....chegamos em Aracaju, corri pra casa, tomei banho e sai correndo novamente pro forró de todos os meus sonhos. Porque pra quem já havia perdido a noite do sábado e o domingo inteiro, aquela seria a única chance de salvar meu São Pedro.

E sobre a minha amiga, ela também foi, acabadinha, mas foi. Porque ela é brasileira e não desiste nunca.

Na fotinha vai um momento feliz entre os amigos que em Aracaju me esperavam. A amiga insana é a mais baixinha de todas ;).

Depois desses festejos Juninos o que eu mais quero é ouvir qualquer coisa que não me remeta a uma sanfona, fogos e bacamartes. Ai Bethânia, como eu amo você!!! =D

Ai, Jesus, medo desse final de semana!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Será a felicidade uma gota de orvalho?

Investir em mudanças para agradar quem te acompanha pode ser um comportamento admirável quando não é infeliz o resultado. Acredito que minha vida deu um salto significativo com as transformações que sofri por conseqüência do meu próprio empenho. Mas agora, nesse momento, quando me deparo com situações repetidas e não felizes chego ao questionamento de sempre, vale a pena mudar para construir um futuro, mesmo sabendo que o futuro é inconstante e traiçoeiro? Já sei como é isso, e continuo dizendo sim!!

Fui pega por uma novidade essa última semana que me fez refletir sobre mim mesma. Interroguei-me até o que restava dos meus pensamentos sobre a minha entrega em um determinado aspecto de minha vida. Cheguei a conclusão de que continuo sem saber de nada sobre como um ser humano deve se comportar diante das mudanças. O mais aconselhável é encará-las, embora sofrendo, temendo, seguir é a melhor opção.

E aí vem o velho dilema sobre felicidade. Eu sou ou estou feliz? Reflito novamente sobre os poemas dele, que está sempre completando meus momentos com versos magníficos, Vinicius de Moraes. E reproduzo-o a fim de extrair de suas palavras a explicação para as inconstâncias da vida: "A felicidade é como gota de orvalho uma pétala de flor. Brilha tranqüila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor."

Eu sou assim, me entrego por completo sem medo de me arrepender, mas por duas ou sei lá quantas vezes me arrependi dessa entrega total, desenfreada, sem limites, sem pudor, por horas sem dor. Fui sempre em busca do melhor para doar ao que me fazia feliz no momento. Daí me dizem que fica pedante tanta entrega, cobrança, limites. Ponto final. Parto de onde comecei, na velha solidão do não ser mais como antes, ou ter com limites amigáveis. Sendo assim, querer ou não querer? Vai saber!

É uma situação cruel e por que não dizer desleal viver sempre escolhendo me jogar sem saber se é abismo. Digamos que eu esteja odiando a gravidade por ela não me permitir voar. Agora eu digo que valeu a pena mesmo que não tenha dado certo? Que foi válido até onde durou? Talvez sim! Triste? Não, não. Talvez a decepção seja a palavra certa. Com absolutamente ninguém, apenas comigo mesma!

Sem mais chorumelas, vamos beber por que investir no amor é inútil!(=p)Deixa pra lá, quem não já sofreu por uma demasiada troca desvantajosa de amores bem guardados? Ou quem nunca desejou pular da janela e não dar de cara com o chão? Desejo medíocre, eu sei!

Sigamos....



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segunda-feira, 18 de maio de 2009

O valor dos insanos eu sei qual é!

Escutei hoje uma frase que me deixou realmente intrigada sobre a que nos levam as preocupações da vida. Rugas, TOC's, pânicos, dores de barriga, unhas inexistentes ou Pn?

Em certa programação da TV uma pessoa disse a seguinte afirmação: "imaginar pode ser sofrer mais do que quando se vive a realidade". Ela me fez refletir novamente sobre a realidade da minha e de tantas outras vidas de nós mortais que sofremos antes do problema chegar a não ter mais solução.  

Se eu penso que as conseqüências de determinado ato vão me trazer prejuízos desagradáveis mesmo antes de praticá-lo, posso até acabar desistindo de certo plano, desafio, ação, ou seja lá o que for, e que poderia dar realmente certo. Mas se levarmos em conta que os danos estão, pelos menos por enquanto, sendo trazidos pela imaginação, é muito mais válido seguir e ver no que vai dar sem ficar sofrendo antes da catástrofe acontecer, ou até mesmo desistir antes de saber se era mesmo negativo o resultado.

Isso tudo me lembrou de um acontecimento banalíssimo, mas que vai servir como exemplo por que considero um momento deveras engraçado e relevante em minha vida. Certo dia, estávamos eu e mais dois amigos, bebemorando a vida, cantarolando Maria Bethânia e outras coisitas mais na casa de um desses envolvidos. Quando começa a chover e, como se tomasse um susto, uma das insanas presente relembra que sempre sentiu uma vontade incontrolável de sair no meio da madrugada, quase nua (ou entenda-se nua), pela rua gritando ou cantarolando. Eis que de relato ela resolve convidar-nos, os outros insanos restantes, a realizar o sonho. Mas eu, a não totalmente louca pensa que aquilo pode ser realmente divertido, mas não deveria fazer, primeiro por que pode me levar a ter uma gripe dos infernos e segundo por que pessoas podem nos ver correndo e chamar a polícia, e bla bla bla. Enfim, quando realmente chego a minha consciência normal, resolvo aceitar e sair como louca correndo e quase nua pela rua, cantando depois de ter bebido 'algumas gotas' de vinho. A louca-serelepe-pimpona mais feliz do mundo, naquele momento!

O fato é que apesar da banalidade do fato exposto, a verdade é que eu sentiria um imenso remorso caso não aceitasse o convite da insana que anda comigo. Mais ainda, eu não teria este acontecimento pra desabafar como exemplo de que 'comportamentos anormais' valem a pena, e que esquecer de imaginar as conseqüências é melhor do que sofrer por elas, mesmo antes de terem acontecido.  

Daí eu digo que sei o valor dos insanos por também ser um deles. Logo, entendo e concluo com a pouca liberdade que me é oferecida, que 'dô valô' a quem se joga. Vamos brindar a vida, meu bem. Na moral!   

A resposta ao questionamento lá da cabecinha [do texto ;)]: preocupações nos levam a Pn, que seria: porra nenhuma! Isso no meu caso, e no seu?

;)

beijos


quinta-feira, 7 de maio de 2009

A espera de dias melhores.

Como a pessoa aqui não teve lá uma boa semana, pra não dizer péssima, o textinho aqui vai ser bem pobrezinho mesmo. Não que os outros tenham sido riquiiissimos, mas....

Enfim, como boa pessoa de poucas palavras que sou, queria apenas estampar aqui que apesar dos velhos e novos problemas convivo com pessoas maravilhosas ao meu redor, que sabem me dar a força necessária para aliviar a preocupação decorrente das novidades desagradáveis que surgiram esses dias.
Então, é isso. Acho até que escrever sobre Maria Bethânia me faria bem, mas não sei se me atreveria a tanto, logo hoje. Ela merece mais, estou me preparando para isso! =p (prato cheeeio pros amigos aqui,viu)  rsrs  

Sem mais textinho de auto-ajuda, vida que segue, man!

Aos amiguxos do core, uma beja bem grande pela força.

E ao amor de todos os amores de minha vida, uma música bem linda(como a que segue abaixo)e um tudo para nós!!!!! 

Música que não tem naada de nada com os meus problemas, mas tem tudo de mais lindo que alguém pode escrever nessa vida. Tô ouvindo desenfreadamente até sei la quando! 

Feliz
(Gonzaguinha)

Para quem bem viveu o amor 
duas vidas que abrem 
não acabam com a luz
São pequenas estrelas que correm no céu
trajetorias opostas
sem jamais deixar de se olhar.

É um carinho guardado
num cofre de um coração que voou
É um afeto deixado nas veias
de um coração que ficou.

É a certeza da eterna presença
da vida que foi, na vida que vai
é saudade da boa, feliz cantar

Que foi, foi, foi,
foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais
Maravilhosamente a.....mar

Que foi, foi, foi,
foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais
Maravilhosamente a.....ma


E quem quiser assistir....



beeeeeeeeeeeeijos


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vanessa da Mata.

Esperando desde sei lá quando por esse DVD, eis que ele chega às lojas. Vanessa da Mata, ao vivo Multishow, começou a ser vendido dia 30 de Abril e me decepcionou um pouco mas definitivamente não tem como dizer que está magnífico.

Tirando o fato de que as três primeiras músicas(acho)parecem ter sido editadissimas- salve engano meu humilde entendimento sobre o assunto- a capa e o restante de todo o material está lindissimo. Diagamos que eu estivesse esperando mais, e não sei especificamente do que, mas enfim...o resultado foi satisfatório.
Gravado em Paraty, o DVD contou com a participação da dupla jamaicana Sly & Robbie- que também participaram do CD 'Sim'- e o cantor Ben Harper, com quem gravou o rit 'Boa Sorte-Good Loock'. A cantora só cantou de inédito a música 'Acode', de sua própria composição, mostrou um pouco de sua turnê pela Europa e levou aos fãs músicas belissimas como: 'Case-se Comigo', 'Ainda Bem', e ainda a regravação 'Eu sou Neguinha?', composta por Caetano.
O ponto alto para mim, não desmerecendo todo o resto pois, ressalto, o dvd está lindissimo, duas interpretações merecem destaque no album. A cantora regravou em uma versão acustica e estupenda as músicas 'Um dia, um Adeus' e 'As rosas não falam', de Guilherme Arantes e Cartola, respectivamente. E aí eu chego à conclusão de que tanto as músicas dela quanto as regravações fazem esquecer a atuação apagadinha das primeiras músicas, ou seja, o conjunto realmente faz o brilho da obra.
Enfim, para mim, o resultado é um DVD bonito visualmente e musicalmente falando. Sem falar que a pessoa é linda até não querer mais...E os cabelos dela? aff Já fiz o meu pedido, se isso for mesmo possível, quero nascer de novo com um daqueles.
Pra quem quiser curtir, vale a pena.

É isso, beijos.